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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

CANDIDATOS CORREM ATRÁS DOS ÚLTIMOS PEDIDOS DE VOTOS.

As eleições estão chegando e o que não faltou ao candidato Naldo Belmiro foi aconselhamentos em todos os setores da comunidade. Destacamos aqui o apoio recebido da mais antiga eleitora da Campanha, dona Nair Dias que aos 102 anos de idade irá cumprir o seu dever de cidadão no próximo domingo. 

O ESCRITOR NÃO TEM QUE SER MODERNO, TEM QUE SER ETERNO.

Pedro Bandeira: 'O escritor não tem que ser moderno, tem que ser eterno'

Rodrigo Casarin - Página Cinco - 30/08/2016

“O escritor não tem que ser moderno, tem que ser eterno”. É com essa convicção que Pedro Bandeira está na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde relança pela Moderna oito livros, que receberam novas capas e ilustrações – a saber: “Descanse em Paz, Meu Amor”, “Prova de Fogo”, “Brincadeira Mortal”, “O Grande Desafio”, “Gente de Estimação”, “Alice no País da Mentira”, “Histórias Apaixonadas” e & Mariana Menina e Mulher”.

Na conversa que teve na manhã desta terça-feira com o Uol, antes mesmo de ser perguntado sobre youtubers, Pedro já se antecipou: “nem sei bem o que é isso, e não tenho que saber. Tenho que passar para frente a humanidade, a verdade do escritor é eterna. Na ‘Droga da Obediência’, por exemplo, tem orelhão. Por que eu tiraria o orelhão do livro? Ele não é sobre orelhões ou telefones, é sobre valores e sentimentos”. Na sequência, lembra que Shakespeare continua sendo um dos maiores nomes da literatura mundial porque tratou em suas peças de temas inerentes ao próprio ser humano, não das peculiaridades tecnológicas de seu tempo. “Literatura não envelhece”, completa.

Sim, aos 74 anos, o autor de clássicos infantojuvenis como “Pântano de Sangue”, “A Droga do Amor” e Droga de Americana!”, amplamente adotados em escolas, e criador do grupo de amigos aventureiros Os Karas, acredita fervorosamente na qualidade literária, por isso que rejeita modismos. Ao ser questionado, por exemplo, se a linguagem utilizada hoje na literatura que faz precisa ser diferente de outrora, é enfático:

“Qual é a linguagem atual? É a gíria em uso hoje em São Paulo, no Amazonas, no Rio Grande do Sul? E daqui a dez anos? E como era em 1970? As gírias mudam com o tempo. A linguagem atual é sempre a língua portuguesa, isso não muda. É preciso usar bem a norma culta, sem abusar das palavras raras, dos parágrafos longos, das ordens indiretas”. Como argumento, lembra que em décadas passadas as pessoas utilizavam gírias que não estão mais em uso, como “gamado” ou “vidrado”, mas que “apaixonado” permanece sendo um termo plenamente compreendido.

Na conversa o autor se mostra uma pessoa convicta, de posições firmes, mas fala sobre tudo de maneira extremamente simpática, carinhosa, até mesmo amorosa, sempre sorrindo. É com esse tom que comenta uma recente polêmica a respeito de um livro seu. Pais de um colégio em Belo Horizonte fizeram um abaixo-assinado se queixando que “A Marca de Uma Lágrima”, título de 1985, tinha conteúdo erótico que poderia causar “comportamentos irreparáveis” em seus filhos pré-adolescentes.

Pedro recorda que essa não é a primeira vez que os mais conservadores veem problemas em suas obras. “Eles acham que a menarca ainda é uma criança. Sempre que escrevo tento fazer com que a personagem viva as mesmas descobertas que a menina que vai ler o livro está vivendo, trato como se fosse minha filha, com o maior amor. Então, nesse caso, trato a sexualidade no patamar de uma pessoa de 12, 13 anos, não vou além disso, justamente porque eles ainda não foram”.

No entanto, como educador, lembra que todo esse pudor pode ter um efeito contrário ao desejado. “Não estou aqui para mudar a cabeça de ninguém, respeito a pessoa ser assim, só quero que ela me respeite também. Ao tratar o sexo como um tema sujo, na verdade eles que estão colocando isso como uma sujeira na cabeça da filha deles”, diz, para depois lembrar que até em “Chapeuzinho Vermelho” & “Capuzinho Vermelho” no original, corrige -, há referência ao sexo.

Para encerrar a questão, explica: “Quando quero que alguém de 12 anos me entenda, pareço um velho ourives no trato com a palavra”. E é com todo esse cuidado que vem desenvolvendo aquele que deve ser seu próximo livro, de poesia para crianças. Já tem 15 poemas, só que ainda precisa de outros cinco ou seis para que possa reuni-los, de fato, em um volume. “Mas não posso me obrigar a fazê-los, o poema simplesmente vem”, pondera.

Por fim, voltando aos youtubers, o que Pedro pensa da ampla presença da Bienal, evento que ele participa desde 1984? “Sempre fizeram algo semelhante, antes eram os artistas de televisão, que vinham, lançavam livros e logo sumiam”.

O ALUNO RAVAIL.


O ALUNO RIVAIL

Dotado da avidez de saber e de agudo espírito observador, adquiriu ele desde cedo o hábito da investigação . Contam alguns biógrafos que, quando estudava Botânica, Denizard se interessava tanto que passava um dia inteiro nas montanhas próximas a Yverdun, com sacolas às costas, à procura de espécimes para o seu herbário.
Aos quinze anos, Rivail já conhecia as divergências religiosas observadas no próprio corpo docente, com alunos católicos romanos e ortodoxos, bem como protestantes de diferentes seitas, a se desentenderem sobre a interpretação dos textos escriturísticos, sobre a validade dos dogmas e de outras questões, embora, no fundo, todos formassem uma família unida pelos laços de amizade que sadio companheirismo gerara. Tudo isso levou Denizard a conceber, já naquela idade, a idéia de uma reforma religiosa, com o propósito de conseguir a unificação das crenças.

DE YVERDUN A PARIS

Embora não se possa afirmar, presume-se que Rivail tenha permanecido no Instituto de Yverdun até 1822, talvez desempenhando a função de submestre, senão, mestre, mesmo, seguindo depois para Paris - à Rua Harpa, 117, um dos principais eixos da vida universitária parisiense, onde ficava situado o Liceu Saint-Louis (antigo 'Collège d'Harcourt'), estabelecimento escolar respeitado da Universidade. Lá, Denizard encontraria excelentes oportunidades para continuar suas atividades educacionais.

O POLIGLOTA

Rivail possuía uma instrução extensa e variada, conhecia também outros idiomas: o Alemão - sua língua adotiva; o Inglês, Holandês, como também eram robustos seus conhecimentos do Latim, do Grego, do Gaulês e de algumas línguas latinas nas quais se exprimia corretamente.

Elio Mollo - Seara Bendita

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A HISTÓRIA DE UM BEBÊ ABORTADO.


"DEIXE-ME VIVER", filme sobre um BEBÊ ABORTADO, chega AOS CINEMAS - do livro de Luiz Sérgio


O filme Deixe-me viver que chega em outubro aos cinemas relata de forma clara e objetiva o tormento que passa um abortado e as consequências desastrosas para os que praticam o aborto, seja na qualidade de pacientes, indutores, executantes e/ou equipes participantes deste ato.

O livro que originou o filme foi ditado pelo espírito Luiz Sérgio, psicografado pela médium Irene Pacheco Machado, com o objetivo espiritual de amenizar a violência do aborto contra os espíritos que precisam de um corpo carnal.

Quem é o espírito Luiz Sérgio?
Luiz Sérgio, que residiu em Brasília, é um jovem feliz e carismático. Estudante de engenharia, desencarnou aos 23 anos, no ano de 1973, em decorrência de um acidente de automóvel.
Pouco tempo após a sua desencarnação, começa a comunicar-se pela mediunidade de sua prima Alayde de Assunção e Silva, a fim de narrar as suas primeiras experiências extracorpóreas aos seus familiares, a quais restultaram nos seus três primeiros livros: O Mundo Que Eu Encontrei (76), Novas Mensagens (78) e Intercambio (81).
Deixe-me viver - Novo filme espírita após estes primeiros livros, o espírito Luiz Sérgio recebeu a oportunidade de relatar suas experiências no plano espiritual, que são encontradas em outros livros como:
1) Na Esperança de uma Nova Vida;
2) Mãos Estendidas;
3) Deixe-me viver, entre outros, psicografados pela médium Irene Pacheco Machado.

O diretor do filme Clóvis Vieira,contou que sempre teve vontade de transformar o livro “Deixe-me viver” em filme e que o projeto começou a virar realidade nos anos 2000, quando o diretor ganhou os direitos autorais.

Com relação aos recursos obtidos Clóvis contou que estes começaram a ser obtidos a partir de 2011, através da venda de pinturas, ajuda da família, empréstimos, etc.

“Vendi pinturas, empréstimos e fiz associação com dois estúdios de amigos. Não temos patrocínio, nem leis de incentivo”.
E ainda Clóvis Vieira contou que está muito otimista com o lançamento do filme, já que a repercussão dos trailers tem sido excelente.

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Fontes: Site conexão espírita e site da rádio Boa Nova.

AUTOR DE BEST-SELLER INFANTIL ESNOBA O POLITICAMENTE CORRETO.

Autor de best-seller infantil esnoba o politicamente correto

Alessandro Giannini - O Globo - 04/09/2016

SÃO PAULO — De passagem pelo Brasil para lançar “Os dois terríveis — Ainda piores” (Intrínseca) e um dos astros da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que termina hoje, o escritor de livros infantis americano Mac Barnett começou a se interessar pelo universo das crianças quando estava na faculdade e monitorava uma colônias de férias, na Califórnia.

Barnett era responsável pelos menores, de 4 anos, que se cansavam rápido das brincadeiras esportivas e iam se sentar ao seu lado na sombra das árvores. Era o momento em que, para passar o tempo — e dele e dos garotos —, Barnett inventava histórias. E dizia para as crianças que, nos fins de semana, era espião da rainha da Inglaterra. Logo, conta ele, virou uma celebridade entre os meninos e meninas que lhe perguntavam sobre suas aventuras como agente secreto.

A experiência de Barnett o levou a entender que as crianças aceitam a ficção como verdade, mas só até o limite do lúdico. Para o autor, esse é o grande tesouro da literatura. E, também por isso, não é fácil escrever para os pequenos:

— Falando muito sério. É fácil escrever um livro infantil, mas é muito difícil escrever um bom livro infantil. Crianças merecem arte de verdade, e arte de verdade é muito difícil de fazer! Elas não merecem “arte menor” ou “histórias menores”. O que faz boas histórias é honestidade, chegar ao centro da questão de como ser uma pessoa melhor. É difícil fazer isso. As vidas das crianças são diferentes das dos adultos, e acho que as experiências e verdades delas também são diferentes. Mas, claro, você quer chegar ao âmago dessa verdade, e isso é difícil.

“Os dois terríveis — Ainda piores”, escrito em parceria com John Rory e fartamente ilustrado por Kevin Cornell, dá prosseguimento à história dos amigos Miles Murphy e Niles Sparks, apresentados anteriormente em “Os dois terríveis”, os únicos integrantes do clube de pregação de peças do ficcional Vale do Bocejo. O primeiro livro teve os direitos comprados pela Universal para virar filme. A produção ainda não tem diretor escalado, mas Barnett acaba de escrever o roteiro.

Agora, no segundo livro, Miles e Niles pregam uma peça no diretor da escola, o senhor Bronca, que acaba sendo demitido, para ser substituído por, quem diria, o seu pai, também conhecido como senhor Bronca. A diferença entre ambos está no fato de que o veterano diretor não tolera nenhum tipo de alegria.

— Quando eu era criança, adorava pegadinhas, truques e jogos — conta o escritor, que no momento trabalha no terceiro livro da série, ainda sem título definido. — Eu acho que queria ser um pregador de peças, mas tinha medo de me envolver em problemas. Então, lia muito sobre isso. Para os adultos, há muitos filmes sobre trapaceiros ou grandes roubos a bancos, mas é diferente. Há uma dimensão política para uma pegadinha. É o último recurso dos oprimidos sobre quem tem poder. E as crianças, em geral, são as pessoas mais oprimidas da nossa sociedade.

Nesse caso, nem tudo são flores para Barnett. O autor também teve sua dose de críticas pelo teor politicamente incorreto do conteúdo dos dois livros, principalmente pelas ideias de pegadinhas aplicadas nos adultos. Mas ele ri de tudo isso:

— Quando vou às escolas, sempre há um professor no fundo da sala de aula balançando a cabeça em sinal de reprovação. Às vezes, um deles diz: “Você sabe o que acabou de fazer a essas crianças?”. E eu respondo: “Sim, claro, fiz com que eles lessem mais um livro!” Para mim, está tudo bem. As pessoas que menos gostam de brincadeiras assim são as principais vítimas.

29 DE SETEMBRO DE 2016.

Miguel de Cervantes Saavedra  Nasceu em Alcalá de Henares na Espanha em 29 de setembro de 1547. Estaria portanto comemorando hoje 469 anos de nascimento. Foi um romancista, dramaturgo, e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerada o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerada um dos melhores romances já escritos. O seu trabalho é considerado entre os mais importantes em toda a literatura, e sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes (A língua de Cervantes).


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

AOS ARQUEÓLOGOS, BIÓLOGOS, ANTROPÓLOGOS E ESTUDANTES.

Os povos de Lagoa Santa

Sepultamentos humanos em Minas Gerais revelam uma sucessão de costumes entre 10 mil e 8 mil anos atrás
MARIA GUIMARÃES | ED. 247 | SETEMBRO 2016
© MAURICIO DE PAIVA
Um abrigo em meio ao Cerrado, a Lapa do Santo parece ter sido um importante centro de rituais ligados à morte
Uma abertura na face de um penhasco em meio ao Cerrado na região de Lagoa Santa, Minas Gerais, tem revelado surpresas a arqueólogos, biólogos e antropólogos. Essa caverna, a Lapa do Santo, já foi um importante centro de rituais ligados à morte, como revelam escavações descritas em artigo em processo de publicação na revista Antiquity, uma das mais prestigiadas da área. Padrões de sepultamento complexos, com desmembramento de corpos e disposição seguindo regras precisas, revelam uma sucessão de culturas muito distintas em um período que se considerava homogêneo, por volta de 10 mil anos atrás. “O maior mérito foi enxergar essas transformações culturais ao longo do tempo, que por algum motivo ninguém tinha percebido”, avalia o arqueólogo brasileiro André Strauss, professor visitante na Universidade de Tübingen e doutorando no Instituto Max Planck, ambos na Alemanha, autor principal do artigo. O estudo vai além da morte e permite uma espiadela em como viviam e quem eram essas pessoas.
Strauss sentiu que ali havia algo especial no primeiro ano do curso de geologia na Universidade de São Paulo (USP), quando teve sua primeira expedição de campo como estagiário do bioantropólogo Walter Neves, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), em 2005. “Eu ficava no fundo de uma trincheira de 2 metros de profundidade, cavando e peneirando o que encontrava.” Foi desse posto que Strauss se encantou com o que havia por descobrir ali e queria fazer algo diferente de se concentrar na medição de crânios e na busca por indícios de coexistência com grandes animais, a megafauna. Esse era o foco das pesquisas realizadas ainda no século XIX, quando o naturalista dinamarquês Peter Lund descobriu ossos humanos associados aos de grandes animais numa caverna de Lagoa Santa e iniciou uma tradição de escavação no que se tornou uma das mais longevas regiões arqueológicas no país. Cinco anos depois, já no mestrado sob a orientação de Neves, Strauss viu que havia alguma ordem na confusão aparente do sítio: o que parecia uma mistura de ossos sem sentido na verdade seguia um padrão. “É difícil perceber as sutilezas, os sepultamentos são muito complexos.”
“Isso foi possível porque o Walter inverteu a ordem habitual dos procedimentos de campo”, afirma Strauss. A arqueologia brasileira, segundo ele, concentra-se em artefatos, de maneira geral, e apenas chama especialistas em fósseis humanos quando ossos são encontrados. “Muitos esqueletos são danificados no processo.” Nos projetos de Neves, que desde 1988 analisa a evolução humana na América, com estudo de caso nessa região, são os bioantropólogos que coordenam a escavação e documentam tudo o que aparece, com especialistas para analisar os artefatos – na Lapa do Santo, lascas de pedra e ferramentas de osso como espátulas, buris e (raramente) anzóis.
Nessa caverna, onde há paredes decoradas com desenhos em relevo que indicam rituais de fertilidade (imagens fálicas), o resultado foi marcante. Strauss, Neves e colegas identificaram três períodos distintos de ocupação humana, o mais antigo entre 12,7 mil e 11,7 mil anos atrás. Entre 2001 e 2009, foram exumados e analisados 26 sepultamentos humanos ocorridos aproximadamente entre 10.500 e 8 mil anos atrás que revelam práticas mortuárias altamente variáveis e nunca antes descobertas nas terras baixas da América do Sul, descritas no artigo da Antiquity e em outro assinado apenas por André Strauss, publicado na edição de janeiro-abril do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi.
“Existiram práticas funerárias altamente sofisticadas nos Andes”, conta Neves, “mas as múmias chilenas já estudadas são mais recentes do que o material da Lapa do Santo”. Outra distinção é que na caverna mineira não há oferendas mortuárias, enquanto a prática habitual de caçadores-coletores era sepultar os mortos acompanhados ao menos de seus pertences. “A complexidade das práticas da Lapa do Santo não reside nos objetos, mas numa alta manipulação do corpo e do esqueleto de maneira muito sofisticada”, afirma o professor da USP.
Rituais de morte
O padrão de sepultamento mais antigo, datado entre 10.600 e 9.700 anos atrás, foi descrito com base em um homem e uma criança de cerca de 5 anos, ambos enterrados inteiros. A criança foi posta sentada, com as pernas dobradas e os joelhos próximos à cabeça. A mandíbula afastada, como se a boca estivesse aberta, indica que a cova não foi completamente preenchida.
A remoção de partes dos cadáveres em seguida à morte caracteriza o período seguinte, entre 9.600 e 9.400 anos atrás. Representado por sete sepultamentos, mais alguns ossos avulsos, esse conjunto ficou descrito como o segundo padrão. Alguns dos esqueletos estavam articulados, mas com partes faltando. Um caso marcante foi o de um homem cuja cabeça parece ter sido removida horas depois da morte e enterrada com as duas mãos (também decepadas, como atestam marcas de corte em ossos do punho) cobrindo o rosto uma voltada para cima e outra para baixo, como Strauss e colaboradores descreveram em 2015 na revista PLoS One.
Outros esqueletos estavam completamente desmembrados e arrumados em fardos, indicando que os ossos foram armazenados juntos, talvez embrulhados, e enterrados apenas depois de descarnados e secos. Muitos dos ossos isolados também passaram por alterações como queima, cortes, aplicação de pigmento vermelho e remoção dos dentes. Em alguns casos, eram combinados ossos de criança (uma ou duas) com o crânio de um adulto, ou vice-versa, de uma maneira que sugere regras muito precisas de como esse sepultamento deveria acontecer. Dentes removidos também eram sepultados com os restos mortais de outra pessoa.
© MAURICIO DE PAIVA
Crânio com dentes removidos
O terceiro padrão de sepultamento, datado entre 8.600 e 8.200 anos atrás, envolve nove ossadas dispostas completamente desarticuladas em covas circulares (entre 30 e 40 centímetros de diâmetro) e apenas 20 centímetros de profundidade. Cada cova, preenchida por inteiro, abrigava um único indivíduo. No caso dos adultos, os ossos mais longos em geral eram quebrados após a morte e só assim cabiam nas exíguas tumbas.
Mesmo em meio a tantos desmembramentos, não há indícios de que a violência em vida fosse uma prática corrente. “Nós lemos os ossos, tudo fica registrado neles”, conta Strauss. E eles guardam níveis muito baixos de fraturas recompostas, que indicariam terem acontecido em vida. De maneira geral, Strauss considera que os achados representam uma mudança no paradigma de como se vê a habitação humana por ali nesse período, o início do Holoceno. “Por muito tempo a grande questão era se a Luzia era a mais antiga da América e se era parecida com africanos”, afirma, referindo-se ao crânio de 11 mil anos descrito por Neves e que redefiniu como se deveria pensar a ocupação humana dessa região. “Agora sabemos que não houve um povo de Luzia em Lagoa Santa; foi uma sucessão de povos que habitaram a região com transformações culturais muito claras.” Afinal, trata-se de um período de cerca de 5 mil anos, tempo suficiente para povoamentos muito diversos, mesmo que fossem até certo ponto descendentes uns dos outros.
Estudos com DNA devem em breve começar a render resultados e trazer algumas respostas sobre como esses grupos se sucederam e qual o parentesco entre eles. “A morfologia craniana mostra que eles tinham a mesma ‘arquitetura’ geral”, conta Walter Neves. Há uma variação contínua nesse grande grupo que ele define como paleoamericano. De acordo com sua teoria, de que duas migrações distintas deram origem aos habitantes da América, as primeiras pessoas com características asiáticas teriam chegado por ali há cerca de 7 mil anos – e não há resquícios humanos em Lagoa Santa datados entre 7 mil e 2 mil anos atrás. Mesmo assim, o que há de indícios de lá e de outros lugares aos poucos vem refinando a hipótese. “Eu achava que a segunda leva migratória teria substituído o povo de Luzia”, admite. “Mas hoje temos evidências muito fortes de que aquela morfologia sobreviveu praticamente intacta até o século XIX.” É o caso, por exemplo, dos índios Botocudos (que foram dizimados no período colonial), de acordo com crânios armazenados no Museu Nacional do Rio de Janeiro, como defendem Strauss, Neves e colegas em artigo publicado em 2015 na revista American Journal of Physical Anthropology.
© MAURICIO DE PAIVA
Anzóis feitos de osso
Práticas de vida
Desde o início do doutorado, em 2011, Strauss coordena os trabalhos na Lapa do Santo, com financiamento alemão. A riqueza arqueológica garante o interesse da colaboração pelos dois países, que inclui parcerias para estudos genéticos. A contrapartida brasileira no projeto é Walter Neves, e seu Laboratório de Estudos Evolutivos e Ecológicos Humanos (LEEEH) recebe todo o material coletado nas expedições. Nos últimos anos, não foram encontrados vestígios de cerâmica no local, um indício forte de que eram populações de caçadores-coletores que moravam ali uma parte do tempo, e não agricultores, corroborando o que já se acreditava. Os animais caçados eram peixes, lagartos, roedores, tatus, porcos selvagens e pequenos cervos, todos carregados inteiros para a caverna. Nada de bichos um pouco maiores, como antas, e dos imensos mamíferos representantes da megafauna, que se acreditava associada aos humanos de Lagoa Santa desde que Peter Lund encontrou essa associação em outra caverna da região, entre 1835 e 1844. Nem sempre, pelo jeito.
“Eles comiam até mocó”, exclama Neves, referindo-se ao roedor pouco maior do que um porquinho-da-índia. Para ele, não há nada mais precário do que incluir esses animais na dieta, indicação de que os grupos de Lagoa Santa não tinham melhores fontes de proteína à disposição e viviam numa situação limite para garantir a subsistência. É uma teoria apenas, mas a escassez de pertences nos sepultamentos pode ser sinal de que não havia espaço para desperdício, e as ferramentas – como anzóis, de que só foram encontrados sete na Lapa do Santo – eram necessárias aos vivos. “O tempo deles era dedicado a viabilizar a existência do grupo”, especula Neves. E eram grandes grupos, estima ele.
© ANDRÉ STRAUSS/UNIVERSIDADE DE TÜBINGEN
Rodrigo Elias de Oliveira trabalha na exumação de crânio decapitado…
O modo de vida pode estar agora mais definido, mas a conclusão também propõe um enigma: análises químicas que refletem a dieta por meio da quantificação de isótopos de carbono e nitrogênio, feitas pelo biólogo brasileiro Tiago Hermenegildo como parte do doutorado na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, mostraram que os habitantes da região comiam muitos vegetais e complementavam a dieta com caça. Esse alto grau de consumo de vegetais é inesperado para caçadores-coletores, sobretudo com a dieta rica em carboidratos indicada pelas frequentes cáries nos dentes encontrados.
O dentista Rodrigo Elias de Oliveira, pesquisador do grupo de Neves, é coautor de um artigo liderado por Pedro Tótora da Glória, também do LEEEH, sobre a saúde dental na Lapa do Santo, a ser publicado na revista Annals of the Brazilian Academy of Sciences. Parceiro de Strauss desde 2006 nas escavações da Lapa do Santo, Elias explica as discrepâncias entre a incidência de cáries que tem observado e a documentada para outras populações de caçadores-coletores por ser Lagoa Santa uma região de clima tropical, com vegetação de Cerrado. “Os outros exemplos que temos são de climas temperados”, compara. “Aqui os alimentos naturalmente disponíveis – muitas frutas e tubérculos – podem gerar mais cáries.” Ele aposta no pequi e no jatobá, muito usados até hoje na região, como uma fonte alimentar já naquele tempo. São frutos ricos em carboidratos e fragmentos carbonizados foram encontrados nos sítios de Lagoa Santa.
Elias, que fez doutorado com Walter Neves e agora realiza estágio de pós-doutorado em periodontia na Faculdade de Odontologia da USP, traz ao projeto um detalhamento no estudo dos dentes, cujo material mais resistente do que os ossos os torna abundantes em sítios arqueológicos. “O dente é como uma cápsula, acaba virando nosso cofrinho”, afirma. Ele explica que os ossos se renovam constantemente, a ponto de se dizer que a cada 10 anos uma pessoa substitui seu esqueleto por inteiro. Os dentes de um adulto, no entanto, são testemunho do período da vida em que se formam os dentes permanentes. Ele espera que estudos com isótopos, em andamento agora em colaboração com Hermenegildo, ajudem a aprofundar aspectos da dieta até o detalhe de que tipos de planta comiam, de migrações ao longo da vida, de quanto tempo as crianças eram alimentadas com leite materno. O dentista adianta que isótopos de estrôncio, assim como o formato do fêmur, que responde à ação da musculatura, indicam que as pessoas encontradas na Lapa do Santo eram nativas de Lagoa Santa. “Eles tinham mobilidade, mas não eram errantes.”
© MAURICIO DE PAIVA
… e analisa ossadas no LEEEH
Chão de cinzas
A inferência de intensa ocupação humana vem da confirmação de que muitas fogueiras foram acesas na Lapa do Santo. “Eles usavam fogo o tempo todo, sabiam o que estavam fazendo”, afirma a arqueóloga Ximena Villagran, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Ela fez análises ao microscópio do sedimento da caverna e mostrou uma grande quantidade de cinzas até uma profundidade de 1 metro, conforme mostra em artigo publicado em julho no site da revista Journal of Archaeological Science. Mais do que controlar o fogo, os habitantes da região aparentemente planejavam seu uso, armazenando madeira em processo de decomposição. Esse nível de detalhe é possível graças a análises de petrologia orgânica, uma técnica que recentemente passou a ser usada em arqueologia, à qual Ximena teve acesso por meio da parceria com o geólogo francês Bertrand Ligouis durante estágio de pós-doutorado na Universidade de Tübingen, onde ele dirige o Laboratório de Petrologia Orgânica Aplicada.
Outra técnica de ponta usada por ela foi a Espectrometria de Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), normalmente usada para analisar sedimento solto. Ximena dispôs suas amostras em lâminas de vidro, de maneira que conseguia investigar com precisão por que o sedimento é composto por agregados de vários tons de amarelo, laranja e vermelho. Ao caracterizar o sedimento dentro da caverna e em torno dela, ficou claro que a produção de cinzas acontecia dentro do abrigo. Ela também identificou fragmentos de cupinzeiros, indicando que por algum motivo o material era trazido para dentro da caverna. “Talvez eles os usassem como pedras quentes para cozinhar ou como forno do lado de fora, como os xavantes usam para fazer seu bolo de milho”, especula. Depois da revelação na escala microscópica, passou a dar-se conta de que os campos de Lagoa Santa são repletos de cupinzeiros.
Um enigma surgiu ao verificar que a coloração vermelho-escura que observava em certas partes do sedimento teria exigido altas temperaturas, mais de 600 graus Celsius (°C). Em experimentos nos quais acendia fogueiras e inseria nas chamas um termômetro de cabo bem longo, Ximena verificou que o solo embaixo do fogo não era sujeito a tão altas temperaturas. A explicação literalmente lhe caiu na cabeça na segunda vez em que visitou o sítio arqueológico. “Percebi que uma chuva de sedimento cai do paredão de rocha acima da entrada da caverna”, conta. Se caíssem diretamente sobre uma fogueira, essas partículas encontrariam temperaturas entre 800 °C e 1000 °C.
© ADRIANO GAMBARINI
André Strauss em sua mesa de trabalho na Lapa do Santo
Ao analisar a microestrutura do sedimento em torno dos sepultamentos, Ximena percebeu uma continuidade perturbada em certos pontos, como se alguém tivesse cavado para fazer uma cova. Ela pretende continuar as análises para detalhar como os sepultamentos eram feitos. Strauss também quer saber se as práticas funerárias sofisticadas só existiam na Lapa do Santo: ele aposta que era uma cultura mais disseminada. “Fui olhar as publicações passadas e os sinais estão lá, faltou analisar dessa maneira”, afirma o arqueólogo, que quer ampliar os estudos para outras regiões do país.
Uma limitação é que o que já foi escavado não pode ser recuperado, a não ser que a documentação tenha sido extremamente meticulosa. E até recentemente os registros eram falhos, até por falta de recursos. “Fazer uma escavação é como ler um livro e queimar as páginas”, compara Strauss, que se especializou em documentação arqueológica. Ele conta que retirar um sepultamento leva de 20 a 25 dias, nos quais o sedimento é retirado aos poucos enquanto se gera um modelo tridimensional dos achados e registra-se tudo com fotos e vídeo. As cadernetas de campo dos arqueólogos, segundo ele, devem trazer as informações e observações detalhadamente e serem públicas: nada de diário pessoal. “Essa percepção ainda está crescendo na arqueologia brasileira.”
De 2011 para cá mais 11 sepultamentos foram exumados, corroborando os padrões descritos anteriormente, e estão em processo de estudo. As escavações continuam na Lapa do Santo e prometem revelar ainda outras camadas de tempo e costumes. De acordo com o arqueólogo norte-americano Kurt Rademaker, professor na Universidade do Norte de Illinois e especialista em caçadores-coletores, o trabalho em Lagoa Santa está se somando ao que é feito na região dos Andes em revelar uma grande diversidade cultural. “Strauss e sua equipe interdisciplinar estão fazendo ciência arqueológica de ponta e enriquecendo nosso conhecimento sobre a aparência física, a ancestralidade e os modos de vida dos sul-americanos antigos, em particular suas interessantíssimas práticas rituais”, afirma. É impossível saber o que se passava na cabeça desses antigos habitantes do que hoje é Minas Gerais, mas a equipe envolvida nos estudos está empenhada em construir um retrato aproximado.
Projeto
Origens e microevolução do homem na América: Uma abordagem paleoantropológica (III) (nº 2004/01321-6)
; Modalidade Auxílio à Pesquisa – Temático; Pesquisador responsável Walter Alves Neves (IB-USP); Investimento R$ 2.032.930,19.
Artigos científicos
STRAUSS, A. et al. Early Holocene funerary complexity in South America: The archaeological record of Lapa do Santo (east-central Brazil). Antiquity. No prelo.
DA-GLORIA, P. J. T. et al. Dental caries at Lapa do Santo, central-eastern Brazil: An Early Holocene archaeological site. Annals of the Brazilian Academy of Sciences. No prelo.
STRAUSS, A. et al. Os padrões de sepultamento do sítio arqueológico Lapa do Santo (Holoceno Inicial, Brasil). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas. v. 11, n. 1, p. 243-76. jan.-abr. 2016.
STRAUSS, A. et al. The oldest case of decapitation in the New World (Lapa do Santo, east-central Brazil). PLoS One. set. 2015.
STRAUSS, A. et al. The cranial morphology of the Botocudo indians, Brazil. American Journal of Physical Anthropology. v. 157, n. 2, p. 202-16. jun. 2015.
VILLAGRAN, X. S. et al. Buried in ashes: Site formation processes at Lapa do Santo rockshelter, east-central Brazil. Journal of Archaelogical Science. On-line. 26 jul. 2016.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

MATÉRIA DE INTERESSE DOS CITRICULTORES.



A luta contra o dragão amarelo

Os estudos e soluções para combater o greening, doença que ataca a citricultura brasileira desde 2004
MARCOS DE OLIVEIRA | ED. 162 | AGOSTO 2009
© FUNDECITRUS
Ataque à laranjeira deixa folhas amareladas e a planta precisa ser erradicada
Uma verdadeira guerra está sendo travada pela citricultura brasileira contra o greening, atualmente a mais devastadora doença dos citros, grupo vegetal que abrange laranjas, limões, tangerinas, limas e pomelos. Identificada em 2004 pela primeira vez no país, ela colocou de um lado as bactérias que infectam as plantas e deixam as folhas amareladas e os frutos deformados e imprestáveis para o consumo. No lado oposto, uma legião de pesquisadores de várias instituições brasileiras e internacionais, do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), entidade mantida pelos produtores, que tentam barrar o progresso da enfermidade nos pomares, junto com os citricultores, principalmente no estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e no Paraná, regiões responsáveis por quase 90% da produção nacional de frutas cítricas e 60% da produção mundial de suco concentrado congelado.
Os estudos já permitiram desenvolver testes moleculares para identificar as plantas doentes, estabelecer formas de controle como a erradicação dos pés de citros atacados pelo greening. Além disso, há pesquisas em andamento para evitar que a doença se alastre ainda mais. “A infecção é severa. Não adianta cortar galhos, é preciso arrancar a árvore inclusive com a raiz com uma máquina para que não volte a brotar”, diz o agrônomo Marcos Antônio Machado, pesquisador e diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, vinculado ao Instituto Agronômico (IAC) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com sede no município de Cordeirópolis. Segundo o Fundecitrus, mais de 4 milhões de árvores, de um total de cerca de 200 milhões no Brasil, já foram erradicadas, com prejuízos enormes e variados de acordo com a idade de cada planta. Uma laranjeira, por exemplo, pode produzir por mais de dez anos. Em um estudo realizado entre março e abril deste ano pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária, também da Secretaria de Agricultura de São Paulo, 18% dos pomares paulistas estão afetados com pelo menos uma árvore com greening, um aumento de 30% em relação ao ano de 2008.
Machado participou da equipe de pesquisadores que conseguiu identificar em junho de 2004, no município de Araraquara, no interior de São Paulo, pela primeira vez no Brasil a presença da bactéria causadora dessa doen­ça. Essa confirmação foi feita com técnicas de biologia molecular, por meio da amplificação do DNA bacteriano por reação de polimerase em cadeia (PCR, ou polymerase chain reaction). Esses testes são agora utilizados de mo­do rotineiro, tanto no Centro de Citricultura quanto no Fundecitrus, para a comprovação de plantas doentes. Machado conta que o greening pode ter chegado ao Brasil por meio de borbulhas ou gemas, material de propagação vegetativa há mais de dez anos. “Alguém, provavelmente, achou bonita uma variedade lá fora e trouxe o material para o Brasil.” A doença é relatada na Ásia, desde o século XIX, continente de origem dos citros, presentes principalmente na Índia e na China, país em que a doença foi primeiro descrita. Lá recebeu o nome de huanglongbing, ou HLB, o que significa doen­ça do dragão amarelo. O termo greening foi criado na África do Sul e se tornou mundialmente conhecido. Ele se refere aos frutos que não amadurecem e ficam verdes. “Preferimos chamar pelo nome oficial da doença em chinês pela primazia da descrição”, diz Machado.

JOSÉ ROBERTO POSTALI PARRA/ESALQ-USP

Inseto transmissor da bactéria
O inseto que dissemina a bactéria é um velho conhecido dos agricultores brasileiros. Chegou aqui não se sabe como no início da década de 1940, provavelmente no meio de mudas infestadas. Ele se adaptou bem ao clima, mas não era considerado uma praga porque não produzia prejuízos, embora estivesse relacionado à transmissão da bactéria causadora do HLB na China e em outros países da Ásia. Os olhares dos citricultores brasileiros em relação ao Diaphorina citri, também conhecido pela ciência como psilídeo, que mede de 2 a 3 milímetros de comprimento, só mudaram com a confirmação do greening em São Paulo. Ele transmite ou adquire as bactérias das plantas doentes quando se alimenta, ao sugar os vasos do floema, no sistema de circulação da seiva da árvore.
A importância desse vetor no âmbito da doença logo acionou os pesquisadores da Escola Superior de Agricultura  Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), mais precisamente, o professor José Roberto Postali Parra, que iniciou um projeto temático sobre o inseto, apresentado à FAPESP ainda em 2004 e iniciado em 2005 com financiamento da Fundação. “Até aquele momento o inseto não era estudado profundamente. O nível populacional desse psilídeo não justificava estudos e um controle maior por parte do produtor. Com o temático procuramos conhecer melhor o inseto e indicar medidas biológicas, patógenas, comportamentais e recomendar o uso de inseticida de forma racional sem desequilibrar o ambiente e sem matar os seus inimigos naturais, como algumas vespas”, explica Parra. “Identificamos que o inseto se desenvolve melhor em outras plantas, principalmente na murta (Murraya paniculata) usada em cercas vivas e pertencente à mesma família dos citros, a das rutáceas. A fêmea coloca os ovos nas brotações das plantas. Nos citros ela coloca uma média de 160 ovos, enquanto em outras plantas chega até a 348.” Depois da eclosão, saem as ninfas, que se transformam em adultos. “Estabelecemos parâmetros climáticos e zoneamento de onde a praga ocorre mais intensamente. A maior prevalência acontece nos municípios de São Carlos, Bariri, Botucatu, Lins e Araraquara.”
A expansão avalassadora da doença pode ser sentida em um experimento rea­lizado pela equipe de Marcos Machado, dentro de outro projeto temático financiado pela FAPESP, iniciado em 2006, em parceria com o Fundecitrus, que tem objetivos de estudar a bactéria em relação ao diagnóstico, à biologia e à forma de combatê-la. “Isolamos um pomar novo de laranjas em Araraquara com 10 mil plantas sem HLB, cercada por plantações de cana e distante três quilômetros de qualquer outro pomar. Fizemos controle químico com inseticidas, com diferentes tipos de aplicações. Depois de três anos, 15% das plantas tinham a doença. O vento levou o inseto. A situação não é simples, porque é possível que tenham chegado ali 99 insetos, mas apenas um poderia ser o portador e ter transmitido a doença”, diz Machado.

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A doença provoca o abortamento das sementes
No campo da pesquisa, uma série de alternativas para eliminar o psilídeo está em estudo. “Uma delas é a adoção de bactérias, chamadas de simbiontes, que interferem no comportamento e biologia dos insetos, além de fungos que podem ser utilizados como agentes de controle”, diz Parra. Esse tipo de controle biológico é feito de forma semelhante a inseticidas industriais com a aplicação de fungos microscópicos, da espécie Beauveria bassiana, misturados à água, sobre os insetos e nas plantações. O fungo é inerte para os vegetais e ao homem e parasita tanto o inseto adulto como as ninfas, deixando-os secos como se estivessem mumificados. A equipe do professor Parra também leva em conta possível isolamento de feromônios sexuais, substâncias secretadas pela fêmea para atrair insetos machos. Esses feromônios poderiam ser usados em armadilhas para eliminar os machos e diminuir a população do inseto. Mas é nas goiabeiras onde deve estar a mais promissora substância para barrar a investida do psilídeo. “A goiabeira produz algumas substâncias que repelem o inseto, como foi observado inicialmente no Vietnã, onde se planta goiaba e laranja nos mesmos pomares, de forma intercalada”, diz o agrônomo José Belasque Júnior, pesquisador do Fundecitrus.
Estudos para identificação e síntese dessas substâncias voláteis da goiabeira estão sendo feitos em nível internacional pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Semioquímicos na Agricultura, financiado pela FAPESP e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que tem sede na Esalq e é coordenado pelo professor Parra, mais a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Universidade de Valência, na Espanha, e Instituto Max Planck, na Alemanha. “A ideia é produzir essas substâncias no futuro nas próprias laranjeiras por meio de técnicas de transgenia com o objetivo de espantar o inseto”, explica Parra. Ele também inclui entre os armamentos para combater o inseto o manejo ecológico com o uso de uma vespa, a Tamarixia radiata, que não causa danos à agricultura e ao homem, para parasitar as ninfas do inseto. Em estudos realizados no município de Araras, a soltura da vespa em pomares da região teve resultados entre 51% e 72% de eliminação das ninfas do inseto. “Os resultados são razoáveis, mas precisamos estudar mais em laboratório e em outras regiões.”
Mesmo com tantas alternativas, o professor Parra, há mais de 40 anos realizando pesquisas com insetos ligados à agricultura e, inclusive, criando insetos para estudos na universidade, sente que o desafio é grande, talvez o maior de sua carreira. “O inseto é complicado, de difícil manejo na criação, o que nos faz dependentes da captura no campo. Há também o problema das populações desses insetos que são variá­veis ao longo do ano, das estações e de condições de temperatura e chuva, sem uma sistemática, o que nos impediu de estabelecer modelos de sua presença no campo”, diz Parra. Dentro do projeto temático, que tem também parcerias com o Fundecitrus, o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto Biológico e a Universidade da Califórnia, em Davis, o grupo do professor Parra constatou um outro problema: alguns produtos químicos usados como inseticidas contra o psilídeo não são mais eficientes, mas podem matar as vespinhas usadas no controle biológico. “O controle químico chega a ser exagerado, feito até duas vezes por mês. É impossível conter a doença apenas controlando o inseto, além de faltar conhecimento maior sobre esse tipo de aplicação”, diz Machado, do centro de citricultura.

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Depois de infectada, a planta apresenta sintomas em até um ano
Se o inseto é complicado, a bactéria não é menos. Ela só foi identificada em laboratório na França, em 1970. Ainda hoje ela não tem uma identificação taxonômica definitiva ou um nome científico aceito em todo o mundo. Por isso ela é chamada de Candidatus Liberibacter e possui três espécies, a Ca. L. asiaticus, presente em maior número no Brasil e causadora da infecção mais deletéria, a Ca. L. africanus, mais amena e ausente dos pomares brasileiros, e a Ca. L. americanus, pouco presente no país, mas perigosa e descrita em 2004 por um grupo de pesquisadores da Esalq, do Fundecitrus e franceses do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (Inra, na sigla em francês). A identificação foi feita por sequências de trechos de DNA. Ela permanece candidata porque os pesquisadores não conseguem cultivá-la em laboratório, in vitro, e depois isolá-la. Mas essa situação pode mudar porque em maio deste ano um grupo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês) conseguiu cultivá-la em laboratório, segundo artigo publicado na revista científica Phytopathology. “É preciso um caldo de que ela goste e isso é feito por meio de sequências de tentativa e erro”, diz o professor Elliot Kitajima, também da Esalq, especialista em microscopia eletrônica. Ele e o professor Francisco Tanaka fizeram uma das melhores imagens da Liberibacter em um floema da vinca ou maria-sem-vergonha [Catharanthus roseus], uma planta ornamental. “A concentração na laranjeira é muito baixa, não é possível fazer imagens como a obtida com a vinca”, diz. “Não existe a relação de concentração da bactéria e estrago no floema”, diz Machado. Mesmo assim as poucas bactérias devem secretar toxinas que prejudicam a funcionalidade do floema. “Rapidamente, em cerca de meia hora depois de o inseto portador da bactéria picar a planta, ela se torna infectada, mas a evolução é lenta e os sintomas podem se manifestar até um ano depois da inoculação”, diz Parra.
O combate ao dragão amarelo envolve também o conhecimento do genoma da bactéria. O sequenciamento genético da Liberibacter asiaticus foi finalizado em 2008 pelo Usda. A espécie asiática da doença possui um genoma pequeno com cerca de 1,2 milhão de pares de base, enquanto a bactéria Xylella fastidiosa, que causa a clorose variegada dos citros (CVC), tem 2,4 milhões de pares, e a Xanthomonas axonopodis citri, bactéria causadora do cancro cítrico, possui 4,5 milhões de pares. A Xylella foi o primeiro patógeno de uma planta no mundo a ter um genoma sequenciado, experimento finalizado em fevereiro de 2000 por pesquisadores de universidade e institutos paulistas financiados pelo programa Genoma FAPESP, que também sequenciou a Xanthomonas. “O menor genoma da Liberibacter significa que ela é mais especializada ainda que as outras”, diz Machado. Ele coordena também o recém-­ -criado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Genômica para Melhoramento de Citros, que engloba institutos e universidades de São Paulo, Bahia, Paraíba e a Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Esse estado norte-americano também é atacado pelo greening, onde a doença foi identificada em agosto de 2005. A Flórida, com mais de 70 milhões de pés de laranja, é o segundo produtor mundial de citros atrás de São Paulo, estado líder no Brasil, com cerca de 80% do total de frutas. Flórida e São Paulo somados são responsáveis por cerca de 40% da produção mundial.

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Inspeções frequentes são fundamentais para frear o greening
Mas se não bastassem as duas bactérias Liberibacter, em 2007 foi identificado um fitoplasma, bactéria sem parede celular, em plantas com os mesmos sintomas do greening, mas sem nenhuma presença das Liberibacter, situação comprovada em testes moleculares de PCR. Com a colaboração do pesquisador francês Joseph Bové, do Inra, e do professor Kitajima, os pesquisadores do Fundecitrus anunciaram a má notícia e prepararam um novo teste que já está em uso. Estudos estão sendo realizados por vários grupos para entender melhor essa bactéria e sua ação nos citros.
A complexidade da doença exige cada vez mais pesquisas, como demonstra um terceiro projeto temático financiado pela FAPESP, iniciado em 2008. “Nosso objetivo é epidemiológico: estudamos a disseminação da doença em função do tempo, a rapidez como a infecção atinge as plantações e o inseto, e do espaço, averiguando hábitos de voo do psilídeo que pode ser levado pelo vento a centenas de metros, tudo com base em análises moleculares nas várias etapas da doença”, diz Armando Bergamin Filho, também professor da Esalq-USP. “Uma das nossas preocupações é o papel da murta como hospedeira do inseto e da bactéria. Vamos verificar a necessidade de erradicá-la também”, diz Bergamin, que espera ter novas propostas de controle da doença no final do projeto em 2012. Bergamin enfatiza a erradicação das árvores de citros doentes como controle fundamental. “A retirada das árvores doentes já está em lei federal, mas muitos produtores preferem apenas aplicar inseticidas e cortar galhos. Não adianta um produtor erradicar as plantas e o vizinho não.” Ele acredita que a fiscalização dos órgãos governamentais também deveria ser mais efetiva tanto na observação da erradicação de plantas doentes como na adoção de mudas sadias, embora no estado de São Paulo exista lei que exige a compra de mudas desenvolvidas em viveiros protegidos por telas e certificados até para evitar a disseminação de outras doenças.
“O desafio é convencer o citricultor de que ele deve arrancar a planta, principalmente entre médios e pequenos agricultores, que representam a maioria”, diz Belasque, da Fundecitrus. Em São Paulo, são mais de 5 mil propriedades com citros. “Temos uma equipe com 21 agrônomos espalhados pelo estado em contato com produtores, fazendo palestras e acompanhando os casos da doença que já se espalha por todas as regiões citrícolas do estado.” Belasque acredita que a melhor solução seriam variedades de citros resistentes ao greening, mas isso deve demorar ainda de duas a três décadas. Enquanto isso, os produtores têm que cumprir uma série de inspeções por ano nos pomares. A Secretaria de Agricultura recomenda três anuais, desde o início deste ano, inclusive com a emissão obrigatória de relatórios.
A esperança mais próxima de uma inspeção mais rápida e segura de plantas doentes no campo está em sistemas eletrônicos que estão em desenvolvimento por dois grupos de pesquisadores de São Carlos. Os experimentos utilizam o princípio da fluorescência, com técnicas e procedimentos diferentes que usam a emissão de luz pela folha após ter sido iluminada por um laser ou diodo emissor de luz, chamado LED. Um estudo é conduzido pelo professor Luís Gustavo Marcassa, do Instituto de Física de São Carlos da USP, como uma sequência de outro estudo em que os pesquisadores usaram laser para identificar o cancro cítrico (ver Pesquisa Fapesp nº 80). “Chegamos a um resultado que mostra, ao analisar as folhas, que 95% tinham algo de errado, se comparadas a uma folha sadia, enquanto 65% comprovadamente tinham cancro”, diz Marcassa. O estudo consiste em iluminar a folha com a luz de uma fibra óptica e captar, com outra fibra, a absorção da luz com a reflexão alterada pela bactéria. Os dados enviados a um computador mostram em um gráfico a possibilidade de a planta estar infectada. Marcassa está fazendo um estudo semelhante para o greening. “Agora não uso o laser, que requer mais cuidados e é mais caro, mas LEDs de alta potência em diferentes cores. Chegamos a coletar 16 mil imagens em que emitimos uma cor (frequência de onda eletromagnética) e coletamos a emissão em outra cor”, diz Marcassa. O experimento com greening está no início e a ideia é levar o equipamento para o campo, num futuro próximo, ou deixá-lo num local que possa ser acessado, em média, um dia após a coleta, tempo em que a folha ainda não demonstra alterações. O diagnóstico sai em alguns minutos.
O segundo experimento é conduzido pela pesquisadora Débora Milori, da Embrapa Instrumentação Agrícola, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que estuda o uso de feixes de laser para diagnosticar precocemente o greening. Débora e sua equipe desenvolveram um equipamento portátil que permite, junto com outros tipos de aparelhos de precisão, fazer um levantamento de mapas de infestação da doença de forma economicamente viável. “Hoje a inspeção visual pode levar a erros de 30 a 60%, inclusive na confusão com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes”, diz Débora. “Em laboratório, com calibração do aparelho para cada variedade de citro, conseguimos índices de acerto entre 80 e 90%, e o resultado sai em um minuto. Uma grande vantagem se comparado ao exame PCR que leva em torno de dez dias”, diz ela. Esse estudo recebe apoio do Centro de Pesqui­sa em Óptica e Fotônica de São Carlos, um dos centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP. Além disso, a pesquisadora coordena uma rede de pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltada para a biofotônica aplicada ao diagnóstico do greening, que inclui parcerias com a Universidade da Flórida, Centro de La Papa, do Pe­­­ru, e Universidade Mayor, do Chile.
Os projetos
1.
Bioecologia e estabelecimento de estratégias de controle de Diaphorina citri Kuwayama (hemiptera: psyllidae) vetor da bactéria causadora do greening nos citros (nº 04/14215-0)
Modalidade Projeto Temático; Co­or­de­na­dor José Roberto Postali Parra – USP; Investimento R$ 513.245,14 e US$ 14.266,09 (FAPESP)
2. Estudos da bactéria Candidatus Liberibacter spp., agente causal do huanglongbing (ex-greening) dos citros: diagnostico, biologia e manejo (nº 05/00718-2); Modalidade Projeto Temático; Co­or­de­na­dor Marcos Antonio Machado – IAC; Investimento R$ 1.058.519,78 e US$ 215.009,98 (FAPESP)
3. Epidemiologia molecular e manejo integrado do huanglongbing (asiático e americano) no estado de São Paulo (nº 07/55013-9); Modalidade Projeto Temático; Co­or­de­na­dor Armando Bergamin Filho – USP; Investimento R$ 1.105.255,22 e US$ 68.824,87 (FAPESP)
4. Óptica aplicada à agricultura e ao meio ambiente; Modalidade Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Co­or­de­na­dora Débora Milori – Embrapa – Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica de São Carlos; Investimento R$ 25.000,00 e US$ 40.000,00 (FAPESP)
5. Detecção de cancro cítrico por imagem de fluorescência no campo (nº 08/00427-)Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Co­or­de­na­dor; Luís Gustavo Marcassa – USP; Investimento R$ 15.582,50 e  US$ 12.536,61 (FAPESP)

AS MARCAS FÍSICAS DE VIDAS PASSADAS...



O homem, pelo Espírito, conserva traços físicos das existências anteriores em suas diferentes encarnações? – O corpo que foi anteriormente destruído não tem nenhuma relação com o novo. Entretanto, o Espírito se reflete no corpo. Certamente, o corpo é apenas matéria, mas apesar disso é modelado de acordo com a capacidade do Espírito que lhe imprime um certo caráter, principalmente ao rosto, e é verdade quando se diz que os olhos são o espelho da alma, ou seja, é o rosto que mais particularmente reflete a alma.

É assim que uma pessoa sem grande beleza tem, entretanto, algo que agrada quando é animada por um Espírito bom, sábio, humanitário, enquanto existem rostos muito belos que nada fazem sentir, podendo até inspirar repulsa.

Poderíeis pensar que apenas os corpos muito belos servem de envoltório aos Espíritos mais perfeitos; entretanto, encontrais todos os dias homens de bem sem nenhuma beleza exterior.

Sem haver uma semelhança pronunciada, a similitude dos gostos e das inclinações pode dar o que se chama de um ‘ar de família’.

Tendo em vista que o corpo que reveste a alma na nova encarnação não tem necessariamente nenhuma relação com o da encarnação anterior, uma vez que em relação a ele pode ter uma procedência completamente diferente, seria absurdo admitir que numa sucessão de existências ocorressem semelhanças que não passam de casuais.

Entretanto, as qualidades do Espírito modificam freqüentemente os órgãos que servem às suas manifestações e imprimem ao semblante, e até mesmo ao conjunto das maneiras, um cunho especial.

É assim que, sob o envoltório mais humilde, pode-se encontrar a expressão da grandeza e da dignidade, enquanto sob a figura do grande senhor pode-se ver algumas vezes a expressão da baixeza e da desonra.

Algumas pessoas, saídas da mais ínfima posição, adquirem, sem esforços, os hábitos e as maneiras da alta sociedade.

Parece que elas reencontram seu ambiente, enquanto outras, apesar de seu nascimento e educação, estão nesse mesmo ambiente sempre deslocadas.

Como explicar esse fato senão como um reflexo do que o Espírito foi antes?

O Livro dos Espíritos - Parte Segunda – Capítulo 4 - Pluralidade das existências

OS NOSSOS LEITORES DE CAMPINAS E REGIÃO -

Saudações José Milton

Segue em anexo flyer de divulgação de nossa curta temporada em Campinas  e leitores de seu blog que se identificarem na bilheteria como sendo leitores do blog pagarão meia entrada, ou seja R$ 10,00



Grande Abraço

Laerte Asnis
Teatro do Grande Urso Navegante
Núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro
São Paulo/SP/Brasil
(11)995112557 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

MEU ANIVERSÁRIO COM MINHAS IRMÃS E PRIMAS.

Vejam como as coisas mudam. Há quase 60 anos eu comemorava o meu aniversários, de terno ao lado da minhas irmãs e primas.Pela ordem: Cecília, Marta, Lelena, Vitória, Dudu, eu, Tuta, e Caia.

23 DE SETEMBRO DE 2016.

Há 111 anos falecia na cidade de Três Pontas, o campanhense 
FRANCISCO DE PAULA VICTOR.

LIVRO DIGITAL E IMPRESSO CONTINUARÃO DIVIDINDO ESPAÇO.

Futuro do livro: digital e impresso continuarão dividindo espaço

Leonardo Neto e Talita Facchini - Publishnews - 26/08/2016

Decretos do “apocalipse do livro” não são novidades e nem vieram junto com o livro digital como podem imaginar alguns. O historiador e diretor da Biblioteca da Universidade de Harvard Robert Darnton, que abriu nesta quinta-feira (25), o Congresso CBL do Livro Digital, lembrou que, em 1928, Walter Benjamin já dizia que, ao que tudo indicava, o livro estaria chegando ao seu fim. Mas chegamos a 2016, e “o livro não está morto. Ao contrário, Nos EUA, no ano passado, foram publicados mais livros do que no anterior”, comentou Darnton.
“Já tivemos muitas profecias sobre o fim do livro, mas quero trazer uma mensagem mais otimista”, brincou com a plateia. Darnton disse acreditar que o futuro do livro será decidido pelo próprio leitor. Esse tema, o do fim do livro ou da substituição do físico pelo digital, foi recorrente nas discussões levantadas no Congresso. Carlo Gimeno, diretor Internacional de Vendas da ProQuest Books, sentenciou: "o que falta é achar um equilíbrio, um meio termo entre os dois”.
Sam Missingham, chefe de Desenvolvimento de Audiência da HarperCollins na Inglaterra, encerrou a programação lembrando aos participantes que a concorrência do livro não é entre as editoras. “Estamos competindo com outras coisas e não com outras editoras”, disse. Foi em nome dessa concorrência que Darnton, em 2004, comprou uma briga com o Google. Naquela época, o Google procurou as bibliotecas universitárias dos EUA com a proposta de digitalizar e disponibilizar os seus acervos. Só a biblioteca dirigida pelo historiador tem mais de 20 milhões de itens. “Adoramos a ideia, mas eles voltaram e disseram que queriam digitalizar todos os nossos livros, incluindo os que estavam protegidos por direitos autorais”, relembra. O assunto foi parar nos tribunais e o Google se viu obrigado a suspender a iniciativa. “É um mito essa história de que na internet estão todas as informações do mundo ou que as bibliotecas se tornaram obsoletadas. Claro, suas funções mudaram, mas estão mais vivas do que nunca”, comentou o historiador.
Autopublicação
O assunto “obsolescência” foi retomado em outra mesa. Para o editor alemão Leander Wattig, as editoras são outras que vão ter que se reinventar caso queiram continuar atraindo bons autores, vendendo bons livros e fazendo sentido dentro da cadeia do livro. Em sua palestra, intitulada Gamechanger Selfpublishing – fatores de sucesso no novo mercado editorial, ele apresentou dados de uma pesquisa feita na Alemanha com autores autopublicados. No país, um em cada dois livros digitais já são autopublicados. Entre os livros impressos, a relação é de um autopublicado para cada quatro livros lançados. E, segundo o editor, esse número só cresce, mas isso não é refletido nas estatísticas oficiais do setor (como aliás, também acontece no Brasil). Leander reconheceu que a fama de que os livros autopublicados são, na média, ruins ou mal escritos é verdadeira. “Mas não existem só coisas estranhas nesse segmento. Nem todos são livros como A biografia do papagaio. Tem muita coisa boa e que, pelo menos na Alemanha, tem ido muito bem”, defendeu e citou exemplos como Hopi J. Andersen, que já vendeu 400 mil exemplares; Hannes Müller, 295 mil exemplares vendidos, e Nuka Lubitsch, que já vendeu mais de 280 mil cópias de seus livros.
“Pode parecer banal que as listas de mais vendidos da Amazon tragam tantos livros autopublicados, mas não é”, declarou. “Os autores dessa área já estão entrando na mente das pessoas”, observou. A pesquisa de que Leander falou demonstra que autores autopublicados querem profissionalizar seu trabalho. Para isso, procuram cursos de aprimoramento e gastam dinheiro na produção do livro. “Todo autor que hoje trabalha com editoras, um dia, será um autopublicador”, previu.
Leander contou que, ao perguntar aos escritores autopublicados por que eles preferiram a autopublicação, eles responderam que querem liberdade. Entre os pesquisados, 83% declararam que preferem a autopublicação por terem controle pleno do dinheiro que ganham, 67% porque, nesse processo, têm controle da comercialização. “Eles têm a sensação de que as editoras não estão satisfazendo essas necessidades”, analisou Leander.
Apesar disso, 80% declararam que, sim, topariam publicar por uma editora, desde que estejam dentro de determinadas condições. A maior desvantagem apontadas pelos autores questionados na pesquisa é que, como autopublicados, têm dificuldades de entrar nas livrarias. “Eles estão interessados em ter seus livros nas prateleiras”, comentou Leander. Na Alemanha, as editoras estão reagindo a isso. A Ulstein, por exemplo, lançou dois selos digitais que abrigam trabalhos de autores autopublicados: o Forever, com livros de amor, e o Midnight, com livros policiais.
A visão agnóstica da Amazon
Alex Szapiro também falou de autopublicação, mas usou o seu espaço para... fazer um merchand da Amazon, empresa que dirige no Brasil. “Falaram para eu não falar muito dos nossos produtos, mas, entrem no nosso site...”, disse. Ao interagir com Marcos Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), que estava na plateia, levou uma resposta: “se você pagar, você pode fazer a propaganda que quiser”, disse bem-humorado.
Szapiro voltou a lembrar que a “obsessão da Amazon é ter um catálogo cada vez maior de livros digitais”, mas que a empresa que ele dirige no Brasil tem “uma visão agnóstica”: “para nós importa que as pessoas leiam mais, independente do formato. Não é inteligente colocar um formato contra o outro”, disse.
Avessa sempre a apresentar números, a Amazon divulgou alguns. Szapiro disse que, na média, as pessoas que eram clientes da Amazon que passaram a comprar livros digitais, não pararam de comprar livros físicos. Ao contrário, passaram a consumir 3,8 vezes mais livros. Segundo seus clientes, 42% buscam na Amazon o preço, 21% variedade e 20% comodidade. O preço do e-book também foi alvo de uma pesquisa da varejista. Segundo dados apresentados por Szapiro, quando os e-books são oferecidos com 30% de desconto em relação ao livro impresso, a versão digital vende 3,3 vezes mais e à medida em que o desconto cai, essa relação também cai. Livros colocados em pré-venda com um mês e meio de antecedência têm performance de venda 11% melhor. Se o e-book tem amostra, há aumento de 50% nas vendas.
Szapiro falou também do Kindle Unlimited e da resistência que alguns editores têm em colocar títulos na plataforma de subscrição de e-books da varejista. “O Brasil é um dos países onde o Kindle Unlimited mais cresce no mundo. A cultura da assinatura já está muito arraigada na nossa Cultura”, comentou citando a boa performance do Brasil em serviços como Netflix e Spotify. “Alguns editores já estão entendendo o Kindle Unlimited como uma ferramenta de marketing. As pessoas que assinam o serviço leem 30% mais e continuam comprando livros a la carte. Para nós, não há uma canibalização”, comentou. Os livros acessados pelo Kindle Unlimited, lembrou Szapiro, influenciam os rankings da Amazon.
O country manager da Amazon no Brasil encerrou a sua participação dizendo que não tem pressa para ver a empresa decolar de vez no País. “A gente não tem pressa. A nossa obsessão é se perguntar sempre se estamos fazendo a coisa certa: nosso catálogo está crescendo? Estamos melhorando as facilidades? É isso o que nos interessa nesse momento”, disse.