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sábado, 30 de abril de 2016

JOAQUI VITAL ARANTES COMEMORA 100 ANOS.

Mais um cidadão campanhense centenário. Folgo em cumprimentar o velho amigo JOAQUIM VITAL ARANTES que,  hoje está reunido com toda a sua família para comemorar os seus bem vividos 100 anos.
Cumprimentos extensivos à toda querida família Arantes, que muito me honra com a amizade de todos.

ADMINISTRADOR PÚBLICO LEANDRO PROCK VALÉRIO.

Meus cumprimentos ao dileto amigo LEANDRO PROCK VALÉRIO pela conclusão acadêmica de Administração Pública, na UFLA. Que Deus ilumine os seus passos para que, continue sendo o brilhante homem público que é. 

A PISCINA DO CEC.

A piscina do CEC sem o trampolim. Durante muitos anos eu frequentei as dependências do CEC. Tenho ótimas lembranças de lá, especialmente do trampolim. Quem la frequentou naquela época, é impossível não se lembrar do Milton Lemes e do seu grito na hora de saltar. E como a molecada gostava de se mostrar, fazendo saltos nos mais diferentes estilos, arrojados, esquisitos, criativos... e eu nunca fiquei sabendo de algum acidente que la tenha acontecido.

BAR DE RECIFE OFERECE A CLIENTES BEBIDA, REFEIÇÃO E LIVROS.

Bar de Recife oferece a clientes bebida, refeição e livros

João Vitor Pascoal - Curiosa Mente
Em cada abertura das paredes do Bar do Ari, dezenas de livros se espremem e dividem espaço, fazendo o local se converter em um híbrido de bar e mini-biblioteca. A inovação do bancário aposentado Ari Carlos Carvalho, começou como uma motivação pessoal, antes de cair no gosto dos clientes.

Em 2010, poucos anos após a inauguração do bar na nova sede, estrategicamente localizada de frente para a movimentada Estação Werneck, do metrô, em Jardim São Paulo, ele resolveu arrumar uma forma de ocupar o tempo ocioso no trabalho. Praticamente todas as horas do dia, se não estivesse dormindo, estava no bar. “Trabalho de 7 da manhã até 10 da noite, domingo a domingo. Sabe como é, velho não pode parar”, brinca no auge de seus 60 anos, vividos por 53 anos em Jardim São Paulo e o restante no bairro do Totó. Começou a levar livros como distração, para passar o tempo enquanto a presença de clientes dava uma folga. “Não tinha tempo de ler fora daqui. Chegava muito cedo e saía muito tarde, tive que trazer os livros pra cá”, resume o recifense.

Levou o primeiro livro, depois mais um e mais outro. Os clientes começaram a se interessar. Pediam para folhear enquanto esperavam uma refeição ou entre um gole e outro de cerveja. A clientela fiel começou a pedir por mais livros e assim foi feito. Hoje, afirma ter mais de 1000 livros, parte no bar e a maior parte em casa, onde o acervo, vez por outra, passa por manutenção.

O hábito de leitura é algo que o ex-bancário traz da infância. O pai era um ferroviário com pouca instrução escolar. Apesar do que a realidade sugeria, criou gosto pela leitura. “Ele lia demais, você não faz ideia. Ele sabia demais sobre história, muito mesmo, era um estudioso”, relata. Ainda assim, quando criança, Ari se inclinava mais para a matemática. “Minha irmã que pegava muito no meu pé. Exigiu muito de mim. Comecei a ler mais, estudar mais”. Do pai, também herdou o gosto pela História Antiga, além de livros épicos e enciclopédias. “Recentemente li a Odisseia. É um livro de uma linguagem muito difícil, mas achei muito bom. Mas o livro que mais gosto mesmo é a Enciclopédia Larousse, adoro ler ele, tem muitas curiosidades”. De obras ficcionais, nada atual. Apesar de nunca ser fã, lia a Machado de Assis e José de Alencar. “Nos tempos de escola não tinha escolha, né?”. Assim como o pai, tentou fazer do gosto pela leitura uma realidade na vida de seus filhos. Mesmo tendo que utilizar formas não tão democráticas para convencer o casal a executar as ordens de leitura. “Eles me chamavam de Hitler, tinham que ler a pulso”, brinca. Reitera, porém, que hoje os dois estão formados em Administração, como se dissesse que tudo valeu a pena. Ao que parece, passou não apenas o valor da leitura, mas o tino administrativo. Na zona oeste recifense aprendeu a inovar para fidelizar a clientela.

A REENCARNAÇÃO DE UM POLÍTICO.

A REENCARNAÇÃO de um POLÍTICO como MORADOR DE RUA 

(pedia ESMOLA em AVENIDA com SEU NOME) !

O médium J. Raul Teixeira conta que certo dia ia a uma conferência numa cidade importante do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, embora a necessidade de o fazer.
Enquanto tentava se recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenômeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida àquela senhora ela recusaria.
E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior:

AS DIFICULDADES FINANCEIRAS DO PRÓXIMO. Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens. Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos.

"A SEMEADURA É LIVRE MAS A COLHEITA OBRIGATÓRIA"

FRASE DE CHICO XAVIER:
"Devemos orar pelos políticos, pelos administradores da vida pública. A tentação do poder é muito grande. Eu não gostaria de estar no lugar de nenhum deles. A omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ESCRITORES MOSTRAM O SEGREDO PARA ESCREVER BOAS CRÔNICAS.

Escritores mostram o segredo para escrever boas crônicas

Os escritores Arthur Dapieve e Paulo Scott marcam presença na programação de cursos abertos em maio pela Estação das Letras. Com sua Oficina da Crônica, Dapieve busca definir, apreciar e praticar este gênero jornalístico-literário que alguns estudiosos veem como tão essencialmente brasileiro quanto a jabuticaba. Na primeira aula, ele um pouquinho de história (e uma encomenda aos alunos); na segunda, a leitura de algumas crônicas clássicas (e a entrega da encomenda); e, na terceira, serão feitos comentários gerais sobre as crônicas produzidas pelos próprios alunos.
Scott conduz o Clube de Criação e Vivência Literária e propõe uma reflexão sobre o ato de escrever, particularmente no que diz respeito à prosa de ficção. Nos encontros, os participantes são estimulados a produzir textos e discuti-los e analisá-los em conjunto.
As aulas de Crônica serão realizadas nas quintas-feiras 12 e 19/05 e 02/06, das 18h45 às 20h45 e as de Ficção, sábados 21/05 e 25/06, das 10h às 16h.
Inscrições pelo site www.estacaodasletras.com.br ou pelo telefone 21 3237-3947. 
A Estação fica na R. Marquês de Abrantes, 177, no Flamengo.

A FAMÍLIA MARCONDES EM SÃO PAULO.

Família Marcondes em São Paulo em julho de 1912. Dia ai Atílio, quem aparece nesta foto. Desconfio que o menino, seja o seu pai.

QUANDO UMA PORTA SE FECHA, OUTRA SE ABRE.

Recusada no Brasil, escritora atrai estrangeiros e produtor de cinema

Natalia Engler - UOL - 15/04/2016
Publicar o primeiro livro é um desafio para um escritor estreante, e em tempos de recessão econômica pode se tornar uma missão impossível. Esse teria sido o destino da escritora Martha Batalha, não fosse por um detalhe: "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", sua primeira obra, chamou a atenção de diversas editoras no exterior e teve os direitos comprados para o cinema. Tudo isso antes mesmo de ser publicado no Brasil, onde foi recusado pelos grandes grupos editoriais até ser adquirido pela pequena Companhia Editora Nacional e, mais tarde, passar à Companhia das Letras, que acaba de enviá-lo às livrarias.

"O livro demorou muito tempo para ser aceito no mercado brasileiro. E acho que a culpa não foi do mercado. No ano passado, como esse ano também, o mercado editorial estava em uma super-crise. A maior parte das editoras não estava aceitando novos autores, estava todo mundo tentando se segurar", conta ela, explicando que o corte de gastos do governo teve um grande impacto nas editoras, que têm no poder público um de seus maiores compradores.

Martha, 42, fala com conhecimento de causa: jornalista, ela abandonou as redações em 2003 para fundar a editora Desiderata, responsável por publicar a antologia do jornal satírico "Pasquim" e os livros de seus antigos colaboradores, como Millôr Fernandes, Jaguar e Ivan Lessa. No final de 2007, a editora foi vendida para o grupo Ediouro e Martha mudou-se para os Estados Unidos para cursar um mestrado em editoração e recomeçar a vida ao lado do atual marido, porto-riquenho.

Seu sucesso contou com a ajuda de outra profissional experiente, a agente Luciana Villas-Boas, da Villas-Boas & Moss, nome de peso na representação de autores brasileiros. Em meio à rejeição das editoras nacionais, foi ela quem começou a oferecer o livro para casas estrangeiras e fechou o primeiro negócio com a alemã Sührkamp, que fez uma proposta acima do valor de mercado para evitar que o livro fosse a leilão (prática conhecida no mercado editorial como "pre-empt offer"). Em outubro de 2015, veio a Feira do Livro de Frankfurt, e o interesse internacional aumentou: até agora, "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão" já foi vendido para dez países, incluindo Alemanha, Itália, Portugal, França e Holanda.

Cinema

Antes de Frankfurt, Luciana também já havia conseguido um contrato de adaptação para o cinema. Ela ligou para o produtor Rodrigo Teixeira, um dos expoentes do cinema nacional, conhecido por seu grande interesse em adaptar livros para as telas, e disse que tinha uma obra especial para ele avaliar. Rodrigo leu, se interessou e a adaptação já está em desenvolvimento, com direção de Karim Aïnouz ("Praia do Futuro") e filmagens previstas para o início de 2017.

"O livro me interessou porque é muito próximo a situações que eu conheço", conta o produtor. Com a trama estendendo-se dos anos 1940 ao início dos anos 1960, "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão" narra as histórias de duas irmãs de classe média no Rio de Janeiro, Eurídice e Guida, em meio às condições adversas que a sociedade reservava às mulheres na época.

Leia trecho do primeiro capítulo de "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão"

"Eu vi mulheres muito parecidas com elas. Tias, avós, pessoas próximas à minha mãe, que tiveram realidades similares ao que essas mulheres viveram", completa Rodrigo. Sobre a escolha de Karim, ele diz que, assim como ele próprio, o cineasta viveu em uma família de mulheres e se "sensibiliza mais com esse tema da condição da mulher". "Foi uma coincidência até trágica, porque a mãe dele vinha de uma fase muito doente, ele leu esse livro, se apaixonou por ele, e a mãe dele morreu logo depois", conta.

Reviravoltas

Em meio às reviravoltas, o livro acabou também mudando de mãos no Brasil. "A editora que estava trabalhando comigo [na Companhia Editora Nacional] foi demitida, também por causa da crise. Aí eu conversei com a Luciana e disse que não tinha segurança para continuar lá", conta Martha.

A esta altura, a carreira internacional do livro já havia chamado a atenção da Companhia das Letras. "Eu me interessei ouvindo o resumo entusiasmado da Luciana Villas-Boas, e especialmente pela temática feminista", conta Sofia Mariutti, editora do livro na Companhia das Letras. "Acho que o livro chama a atenção por ter uma estrutura tão sólida, e também por trazer algumas curiosidades e reconstruir a história do Brasil do fim do século 19 e do começo do 20", acredita.

Para Martha, este também foi um dos motivos que fez com que tantas editoras internacionais se interessassem por seu trabalho. "Quando eu procurei a Luciana para me representar, disse que queria muito ser lida no Brasil. E a maior das ironias foi que eu fiz uma história que é absolutamente local, e que está fascinando os editores estrangeiros. Acho que justamente porque eles têm muita curiosidade de saber como é o local no Brasil, como é o dia a dia aqui", acredita a escritora. "Mas em momento nenhum escrevi essa história pensando no público estrangeiro".

Feminismo

Além do retrato de um Rio de Janeiro de outra época, uma das características mais marcantes do livro de Martha é um sutil ponto de vista feminista, que desde as primeiras páginas aponta com ironia e humor como a mulher era (e continua sendo) submetida a condições absurdas, independentemente da situação econômica.

"Eu sou uma pessoa muito indignada com todas as injustiças --do Brasil, do dia a dia, de classe social, de tudo. Quando fui escrever, entendi que tinha que escrever sobre as injustiças que eu mais conhecia, que é essa injustiça que a gente vê acontecer o tempo todo e às vezes nem percebe, essa questão das mulheres. Eu sou uma mulher de classe média, de uma família tradicional do Rio de Janeiro, da Tijuca. Essa é a minha perspectiva, acho que tenho que escrever sobre essas coisas.", explica a autora.

A editora do livro, Sofia Mariutti, também ressalta esta característica da obra. "O livro bateu na porta no momento perfeito, com as narrativas feministas ganhando tanta força no Brasil", diz. "Acho que ainda falta olhar para a nossa história e recriá-la com o olhar das mulheres de hoje. A Martha foi atrás de pesquisar e recriar as histórias das nossas avós. Não eram tantas que escreviam naquela época e que podiam contar sua versão das coisas, então é quase um dever das mulheres de hoje recontar essas histórias".

Segundo Martha, a ideia para o livro, além de inspirada por histórias de sua família, veio de uma hipótese: "Fiquei imaginando o que aconteceria com uma mulher brilhante se ela nascesse nesse tempo e nesse lugar. Na verdade, é algo que aconteceu muito, de você ter mulheres perfeitamente capazes e com energia para produzir e que não puderam se realizar naquela época". É o caso de Eurídice, mulher inteligentíssima confinada em um casamento que não é mau, mas também não lhe permite realizar suas aspirações --sejam elas na cozinha, na costura ou na literatura. 

Essa hipótese levantada por Martha liga "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão" a uma linhagem de escritoras que trataram da mesma questão no passado, de Virginia Woolf e Clarice Lispector a, mais recentemente, a italiana Elena Ferrante. Mas essas são apenas algumas das influências de Martha. "O que Virginia Woolf fala sobre as mulheres na literatura [no livro 'Um Teto Todo Seu'] é um clássico. Mas a Elena Ferrante eu li depois que meu livro estava pronto e fiquei impressionada com como as histórias se parecem. Mas como influência, em termos de estilo, acho que tem muito do Gabriel García Marquez, essa coisa de ter muitas histórias para contar. E tem outros autores que me influenciaram muito nos últimos anos, como o Jonathan Franzen --pelo pragmatismo dele de escrever--, a Alice Munro, a Jhumpa Lahiri... A trajetória das duas irmãs no livro tem muito de 'Razão e Sensibilidade', da Jane Austen".

O livro de Martha chega em um momento em que o mercado editorial parece se abrir para tirar a literatura feita por e sobre mulheres do nicho em que a havia colocado, vendendo apenas os autores homens como "universais". Exemplo disso são os dois prêmios Nobel concedidos a mulheres nos últimos três anos --Alice Munro e Svetlana Alexievich. No Brasil, A Flip, principal evento literário do país, terá novamente uma mulher homenageada depois de 11 anos --a poeta Ana Cristina César.

"É uma injustiça danada. Philip Roth é universal, Paul Auster é universal, mas Elena Ferrante escreve para mulher", aponta Martha. "Se você for ver, o número de mulheres que ganharam o prêmio Nobel é mínimo. Acho que o mercado é muito masculino nesse sentido. Mas uma coisa é certa: a maioria dos leitores é mulher, no Brasil e no mundo todo. Acredito que o tempo vai colocar todo mundo no lugar certo. Acho que está mudando".

Sofia Mariutti concorda. "Esse movimento não é organizado, mas é inevitável. As editoras se atentam aos temas que estão movimentando as pessoas, então não dá mais para fugir do feminismo. E o nosso papel nessa hora como mulheres é usar o nosso crivo para filtrar o que tem de bom. Eu tenho lido quase só livros de mulheres, mas isso não quer dizer que só por ser mulher ou ter mulher como protagonista vai ser publicada, precisa ter excelência", opina.

Rodrigo Teixeira também acredita que há espaço para histórias sobre mulheres no cinema, coisa que a indústria americana já explora há algum tempo, com filmes como "As Horas", "Tomates Verdes Fritos", "Thelma & Louise", "Carol" etc. "Tanto tem espaço que esses filmes todos tiveram alguma representatividade no Brasil. Acho que existe uma preguiça muito grande de se apostar em novos gêneros no Brasil, falta investir em outros caminhos, e esse é um caminho que eu acredito. No cinema americano foi um super-sucesso. É só ter coragem de pegar essa história para acontecer", conclui.

Enquanto a adaptação cinematográfica de "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão" não sai, Martha já está finalizando um segundo livro, que também deve ter uma pitada de feminismo. "São cem anos de uma família que mora em Ipanema, e na verdade é uma metáfora para a classe média brasileira. O livro começa com a construção de um castelo que de fato foi construído em Ipanema em 1904, e o que acontecia nesse castelo", conta. "E também tem uma empregada que tem uma relação interessante com a protagonista. Porque, se você vai escrever literatura e quer que o público brasileiro se identifique, você tem que falar sobre a questão das empregadas domésticas, sobre esse tipo de coisa".

IMAGENS DIVINAS.

IMAGENS DIVINAS
     É a ti, ó Potência Suprema! qualquer que seja o nome que te deem e por mais imperfeitamente que sejas compreendida; é a ti, fonte eterna da vida, da beleza, da harmonia, que se elevam nossas aspirações, nossa confiança, nosso amor.
     Onde estás, em que céus profundos, misteriosos, tu te escondes? Quantas Almas acreditaram que bastaria, para te encontrar, o deixar a Terra! Mas tu te conservas invisível no mundo espiritual, quanto no mundo terrestre, invisível para aqueles que não adquiriram ainda a pureza suficiente para refletir teus divinos raios.
     Tudo revela e manifesta, no entanto, tua presença. Tudo quanto na Natureza e na Humanidade canta e celebra o amor, a beleza, a perfeição, tudo que vive e respira é mensagem de Deus. As forças grandiosas que animam o Universo proclamam a realidade da Inteligência divina; ao lado delas, a majestade de Deus se manifesta na História, pela ação das grandes Almas que, semelhantes a vagas imensas, trazem às plagas terrestres todas as potências da obra de sabedoria e de amor. E Deus está, assim, em cada um de nós, no templo vivo da consciência. É aquele o lugar sagrado, o santuário em que se encontra a divina centelha.
     Homens! aprendei a imergir em vós mesmos, a esquadrinhar os mais íntimos recônditos do vosso ser; interrogai-vos no silêncio e no retiro. E aprendereis a reconhecer-vos, a conhecer o poder escondido em vós. É ele que leva e faz resplandecer no fundo de vossas consciências as santas imagens do bem, da verdade, da justiça, e é honrando essas imagens divinas, rendendo-lhes um culto diário, que essa consciência, ainda obscura, se purifica e se ilumina.
     Pouco a pouco, a luz se engrandece em nós outros. De igual modo que gradualmente, de maneira insensível, as sombras dão lugar à luz do dia, assim a Alma se ilumina das irradiações desse foco que reside nela e faz desabrochar, em nosso pensamento e em nosso coração, formas sempre novas, sempre inesgotáveis de verdade e de beleza. E essa luz é também harmonia penetrante, voz que canta na alma do poeta, do escritor, do profeta, e os inspira e lhes dita as grandes e fortes obras, nas quais eles trabalham para elevação da Humanidade. Mas, sentem essas coisas apenas aqueles que, tendo dominado a matéria, se tornaram dignos dessa comunhão sublime, por esforços seculares, aqueles cujo senso íntimo se abriu às impressões profundas e conhecem o sopro potente que atiça os clarões do gênio, sopro que passa pelas frontes pensativas e faz estremecer os envoltórios humanos. (Léon Denis - Obra: O Grande Enigma)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

28 DE ABRIL DE 2016. VITAL BRAZIL MINEIRO DA CAMPANHA.

VITAL BRAZIL MINEIRO DA CAMPANHA o aniversariante do dia. Estaria o nosso conterrâneo comemorando hoje 151 anos de nascimento.


Vital Brasil
Médico e cientista brasileiro
28-04-1864, Campanha (MG)
08-05-1950, Niterói (RJ)

Do Klick Educação

Vital Brasil Mineiro da Campanha exerceu diversos ofícios para pagar os estudos de Medicina: foi condutor de bondes, auxiliar de engenheiro e professor particular. Os esforços não foram em vão. Formado em 1891 pela Faculdade do Rio de Janeiro é conhecido internacionalmente por seus estudos pioneiros sobre veneno de cobra. Formado, clinicou em várias cidades paulistas, entre as quais Rio Claro, Jaú, Leme, Pirassununga, combatendo epidemias. Casado, fixou-se em Botucatu. Impressionado com o elevado número de pessoas que morriam depois de serem picadas por cobra, começou a dedicar-se ao estudo do veneno desses animais e das intoxicações provocadas em outros seres (ofidismo). Em 1897, foi nomeado ajudante do Instituto Bacteriológico do Estado, dirigido por Adolfo Lutz. Um ano mais tarde, Vital conseguiu imunizar animais com veneno de cascavel, jararaca e urutu, obtendo os primeiros soros específicos no combate aos seus venenos. Estes começaram a ser aplicados em 1901. Com a criação do Instituto Butantã, em 1901, o Brasil assumiu a direção dos trabalhos de instalação do laboratório. Poucos meses depois, fabricou os primeiros tubos de soro antipestoso. Realizou ainda um extenso programa no instituto que passou a fornecer soros e vacinas contra o tifo, a disenteria bacilar, o tétano, a varíola, a vacina BCG, contra tuberculose, as sulfonas, as penicilinas e soros contra animais peçonhentos. Fundou em Niterói, no Rio de Janeiro, o Instituto de Higiene, Soroterapia e Veterinária, mais tarde conhecido como Instituto Vital Brasil. Dirigiu-o até sua morte.

A FILOSOFIA DA FÉ RACIOCINADA.

A filosofia espírita da fé raciocinada

A filosofia espírita da fé raciocinada
Autor: - Luiz Signates
As relações entre fé e razão desde o princípio fazem parte do debate filosófico espírita, com a criação por Allan Kardec do conceito de fé raciocinada. De um ponto de vista conceitual, estabelece-se uma contradição aparentemente insuperável, porquanto a fé se funda na convicção e a razão, na dúvida; resulta, então, que ambos se contradizem. Ora, como crer e duvidar são práticas antagônicas por definição, o conceito de "fé raciocinada", seria por isso um evidente contra-senso.
Em Kardec, esse conceito é apresentado dentro de um quadro argumentativo construído para negar uma outra noção, atribuída pelo professor lionês às religiões dogmáticas: a "fé cega". Nesse sentido, a fé raciocinada seria algo próximo de "fé fundamentada", isto é, o adjetivo referente ao raciocínio daria ao sujeito o significado de um estado, e não de um processo. Ou seja, a fé raciocinada não seria propriamente uma "fé que raciocina", e sim, uma fé que já raciocinou antes, para se constituir. Tal interpretação consegue parcialmente satisfazer o quadro lógico de separação entre fé e razão: haveria primeiro o movimento de raciocínio e, somente depois, a fé se constituiria.
Esse ponto de vista, entretanto, não é satisfatório, sob o prisma kardequiano. Ainda nas menções que faz sobre a questão da fé, o codificador publicou em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" um axioma que se tornou famoso nos meios doutrinários espíritas: "Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade". Nessa proposição, Allan Kardec nos remete a uma percepção histórica, processual, do fenômeno da crença, delimitando, com o rigor que lhe era próprio, a característica especial e profundamente inovadora da fé espírita.
Nesse contexto, a fé raciocinada – qualidade que a tornaria inabalável – seria não apenas aquela que se constituísse por um movimento de decisão racional, mas, também, a que se mantivesse em regime de racionalidade contínua, inclusa essa exigência no exercício da própria fé. A conciliação necessária, nesse caso, entre os conceitos de fé e razão, seria feita pela mudança de um raciocínio lógico para um raciocínio dialético: os contrários, ao invés de se excluírem, se complementam, se conjugam, na explicação da realidade.
Dentro desse modo de pensar, a fé espírita forma um par dialético inseparável com a razão espírita. Tal idéia significa que a crença espírita é basicamente uma fé que admite dúvida e com ela convive, durante todo o tempo. Trata-se, pois, de uma fé aberta, dialogal, disposta a modificar as próprias opiniões ou o objeto de sua manifestação como crença, desde que satisfeitas as condições do livre exercício da razão. Em contrapartida, a razão espírita constitui uma dúvida que se baseia na fé, capaz de fazer emergir as desconfianças naturais da racionalidade sem uma pretensão cética ou cientificista, e que, sobretudo, está disposta a admitir a crença e a confiança naqueles conteúdos sobre os quais a razão ainda não assumiu uma postura de conhecimento e verificação. Tal composição resulta no que Herculano Pires denominou, muito apropriadamente, "fideísmo crítico".
O uso da razão é a admissão da dúvida, a qual, no Espiritismo, se funda no princípio filosófico da imperfeição espiritual (temos preferido denominá-la incompletude, para retirar o sentido pejorativo do termo "imperfeição", como algo "errado, estragado, com defeito"), o que faz da jornada espiritual a contínua e necessária possibilidade da mudança. Por esta via, o Espiritismo funda um novo iluminismo, cuja formulação acredita na racionalidade como fundamento da fé humana e, por tal razão, confia no aperfeiçoamento das possibilidades da razão como geratriz do aprimoramento da fé.
Feitas tais considerações, de ordem filosófica, convém refletir pragmaticamente. Nem todos os espíritas na atualidade compreendem o que significa essa dimensão do conceito de fé raciocinada. Não raro, imaginam que raciocinar seja o mesmo que racionalizar, isto é, referir-se à razão como pretexto para justificar o dogma, o que transforma o argumento racional em argumento ideológico (no sentido negativo, como falsa concepção da realidade, apoiada somente em critérios de identidade religiosa), atitude que de modo algum pode ser justificada na proposta de Kardec. Fé raciocinada, portanto, não é o mesmo que fé racionalizada (até porque todas as formas de fé podem ser enquadradas neste último tipo).
Dentre as diversas concepções de racionalidade válidas em filosofia, acreditamos que a noção de "razão comunicativa" ou "razão consensual", do filósofo alemão Jürgen Habermas, é a que melhor se adequa ao conceito de fé raciocinada, em Kardec. Para aquele pensador, há racionalidade sempre que houver diálogo onde se instaurem consensos entre os interlocutores, sendo que a verificação prática do consenso seria a própria demonstração de que houve racionalidade. Em outras palavras: razão é o diálogo que dá certo.
Em Kardec, a fé raciocinada é a fé que permanece em constante contato com a razão, isto é, busca sempre um saber mais amplo, argumenta e se questiona. Para isso, a fé espírita há de ser permanentemente reconstruída no diálogo com os diversos saberes, especialmente na interação entre o saber humano, de vertente científica, filosófica ou experiencial, e o saber espiritual, originado da interlocução mediúnica. Eis, portanto, sob formulação espírita, a razão comunicativa, um movimento de construção da crença erigido sobre o diálogo e, por isso, capaz de "enfrentar a razão, face a face, em qualquer época da Humanidade".
Os espíritas, por isso, não podem abandonar em tempo algum a possibilidade do diálogo, não apenas com os espíritos, a partir dos quais o conhecimento assume a forma de "revelação", em definição kardequiana, mas também com os variados saberes humanos, especialmente o filosófico e o científico. A fé espírita há de ser uma fé em constante atualização, uma fé sempre renovada, sempre reconstruída. Ou recairá lamentavelmente num novo tipo de fé cega: a que se contenta em apenas fingir que vê.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

BOLETIM INFORMATIVO DA CÂMARA.

Por que não consta do boletim, o reajuste de salário dos vereadores, prefeito e vice?
Só porque é inconstitucional? Ou na pior das hipóteses imoral.
E os funcionários municipais, por que não foram lembrados? Só os políticos são privilegiados?
Os aposentados, pensionistas ou qualquer trabalhador não tem reajuste em seus salários!
José Milton

----- Original Message -----
Sent: Wednesday, April 27, 2016 3:12 PM
Subject: Boletim da Câmara Municipal da Campanha

boletim informativo eletrônico da câmara municipal da campanha - mg

Requerimento aprovado pede informações sobre precatórios judiciais

Aprovado na noite de ontem, por unanimidade dos presentes, o Requerimento nº 12/2016, de autoria do Vereador Leandro Prock Valério, que requer do Prefeito que informe à Câmara, através da Secretaria Municipal da Fazenda, sobre assuntos relativos à precatórios judiciais. + Leia Mais

Indicação sugere permissão de uso de parte de imóvel à Escola Benedita Roquim

Aprovada pela unanimidade dos presentes, nessa terça-feira (26 de abril) a Indicação nº 73/2016, de autoria do Vereador Leandro Prock Valério, que sugere ao Prefeito Municipal que possa “verificar a possibilidade de permitir o uso de parte do imóvel anexo à Escola Estadual Benedita Roquim para que, mediante adequação das instalações e pavimentação do gramado com bloquetes, a escola possa utilizar-se do espaço para uma biblioteca, ampliação das salas de aula e sala de informática”. + Leia Mais

Proposição sugere ao Prefeito estudo para instituir normas municipais para proteção animal

Durante a reunião de ontem na Câmara foi aprovada por unanimidade dos presentes a indicação nº 81/2016, de autoria do Vereador João Paulo Baena Alves, que sugere ao prefeito que possa “estudar a viabilidade de instituir normas municipais que visem à proteção animal”. No final da reunião, grupos de defesa e proteção animal debateram o assunto com os vereadores presentes + Leia Mais

Aprovada Moção de Aplauso à ONG Sebo Cultural

Aprovada na noite de ontem, por unanimidade dos presentes, a Moção de Aplauso nº 11/2016, de autoria de todos os Vereadores. Confira o texto da proposição: + Leia Mais

Aprovada Moção de Aplauso à “Equipe Baixos Car”

Ainda nessa terça-feira (26 de abril), foi aprovada na Câmara, pela unanimidade dos presentes, a Moção nº 13/2016, de autoria do Vereador João Paulo Baena Alves. Confira o texto contido na proposição: + Leia Mais

O CASAMENTO DE HELENA KALIL E CESAR VILLAMARIM.

O casamento de Helena Kalil e César Villamarim. Conheci nesta foto o senhor Geraldo Lima assinando o livro, dona Dalva Villamarim, Ruth Villamarim, Egberto Gama e Serafim Vilhena.

CONHECIMENTO COM CONSCIÊNCIA.


Transdisciplinaridade - 
Conhecimento com Consciência: forma de saber viver

(Publicado no Portal Mercado Ético)
Por Regina Migliori
Está acontecendo uma mudança radical na relação entre as pessoas, na relação com o mundo. Alguns já entenderam isso; outros, entendendo ou não, estão sendo obrigados a assimilar as mudanças. 

Há 300 anos um filósofo anunciou: “penso, logo existo”. E isso bastava. No século XVII, pensar era sinônimo de raciocinar. No século XXI, pensar é uma atividade estimulada por múltiplas inteligências e dimensões humanas, não só o raciocínio. Hoje a frase é outra: “existo, e por isso penso, sinto, experimento e ainda imagino um infinito de possibilidades.” 

O “pensar” adotado no século XVII vingou até muito pouco tempo. Uma relação com o mundo enraizada exclusivamente na estrutura do pensamento lógico. Um jeito de lidar com a vida que parte do princípio de que é possível compreender cada aspecto da realidade separadamente, e lidar com ele de forma satisfatória. Esta postura deu origem a uma arrumação do conhecimento em disciplinas, as mesmas que se estuda na escola. E assim surgiu a separação das diferentes áreas de atuação, as diferentes profissões, que se tornaram responsáveis pela maneira como nos relacionamos com a gente mesmo, com o trabalho, filho, marido, política, esporte, e tudo mais. 

As disciplinas resultam de uma visão de mundo exclusivamente lógica e racional, que organiza a vida em partes para poder lidar com cada uma delas separadamente. Isso é o que hoje chamamos de fragmentação da realidade. 

Todo mundo já passou pela experiência de lidar com um especialista, aquela criatura que sabe tudo sobre uma coisa só. Vá ao ortopedista, que receita um remédio para o joelho, que provoca uma gastrite, e aí você consulta um gastro, que prescreve uma medicação que dá lhe alergia. E nenhum deles consegue resolver seu problema na totalidade, nem deixar de causar outro com o qual também não sabe lidar. 


É também o que ocorre a uma nação que para gerar desenvolvimento econômico promove a destruição da natureza, compromete a evolução da vida (a nossa inclusive) e nos coloca diante do atual desafio de criar um modelo de vida sustentável. 

Não se trata de defeito ou falta de competência. É o resultado da tal fragmentação. Não há nenhum problema em fazer isso, contanto que não se esqueçam que depois de separar, é preciso recuperar a natural totalidade, pois a vida não acontece “em separado”. E como é que se junta tudo isso de novo? 

É aí que entra a importância do que se entende por “pensar” e “existir”. Se no século XVII nossa existência estava vinculada a uma relação exclusivamente racional com a vida, hoje ela tem um significado múltiplo. 

Trazemos em nós diferentes inteligências e múltiplas dimensões humanas, não só a racional. Todas elas produzem conhecimento e lidam com a riqueza de experiências que a vida oferece. A relação com a vida se ampliou. E como ficam as disciplinas, organizadas em diferentes áreas de atuação completamente separadas? Dessa forma, não ficam. Não há mais espaço para este tipo de visão de mundo. Por uma razão muito simples: ela não dá conta do que estamos vivendo. No século XVII servia. Hoje, não serve mais. 

Temos o desejo de ultrapassar um modelo que não é de todo ruim, mas não dá conta do que temos para fazer. Desta necessidade de reintegrar, reaproximar o que foi artificialmente separado na nossa relação com o mundo, surgiram diferentes esforços. 

Um primeiro esforço foi a multidisciplinaridade. Como o nome já diz, são as disciplinas que se aproximam em torno de um mesmo objetivo. Os diferentes especialistas que se reúnem para oferecer, em um mesmo projeto, as diferentes contribuições das disciplinas que representam. Não são as pessoas que contribuem, são suas áreas de especialidade. Um tipo de contribuição produzido por um fragmento humano, somente pela dimensão racional que gerou o modelo das disciplinas, de forma isolada e separada. 

Todos conhecem o que é uma equipe multidisciplinar: se tenho que construir uma escola, chamo o arquiteto, o engenheiro, a pedagoga, os professores, gestores, e cada um 
oferece sua contribuição de forma específica, a partir da sua área de conhecimento e atuação. 

Outro esforço para reaproximar o que o tal modelo cartesiano separou, é a interdisciplinaridade. É a tentativa de integrar métodos e conceitos de uma disciplina para outra. Veja bem, integrar métodos e conceitos produzidos pela dimensão racional. É um esforço válido e relevante, porém ainda subordinado a uma noção de conhecimento que só contempla a lógica racional.. 

E aí surge a transdisciplinaridade, um esforço de reaproximação com a vida, sugerido nas últimas décadas do século XX. 

“Trans” significa ir além. Transdisciplinaridade significa ir além das disciplinas. Ultrapassar um modelo racional que organizou não só as disciplinas, mas também o jeito como lidamos com nosso dia-a-dia. 

Este modelo “trans” abre espaço para nossas múltiplas inteligências, para as diferentes dimensões humanas, do orgânico ao espiritual, passando pelo racional, emocional, social, cultural, planetário. Tudo o que em nós é também vivo e inteligente. 

Alargando a noção de inteligência, mudamos também o jeito de produzir conhecimento. Amplia-se a forma como vivemos, trabalhamos, nos relacionamos. Amplia-se a nossa capacidade de manter uma atitude aberta, de respeito mútuo, uma postura de reconhecimento em que não há lugar para espaços culturais privilegiados, onde seja permitido julgar e hierarquizar como mais correto ou mais verdadeiro qualquer sistema de relação com a realidade. A relação não se dá entre disciplinas, e sim entre pessoas, com tudo o que elas sabem, sentem, pensam e fazem. Não é só plugar em um pedacinho delas. Trata-se de se relacionar com as pessoas na sua integridade inteligente que produz conhecimento. 

Uma ação transdisciplinar é na sua essência transcultural, contempla diferentes modos de viver e estar no mundo. Mais ainda, não se esgota em argumentos produzidos somente pela dimensão racional. Inclui emoções, sentimentos, dúvidas, imaginação, intuição, e também a experiência concreta. Numa tentativa de descrever a riqueza deste jeito de ser, podemos dizer que é uma experiência onde somos ao mesmo tempo cientistas, filósofos, artistas e místicos. 

Praticar a transdisciplinaridade é ser capaz de, ao mesmo tempo, explicar o mundo com a lógica de um cientista, questiona-lo com as dúvidas de um filósofo, percebe-lo com a sensibilidade intuitiva de um artista, e experimentar cada momento da vida com a profundidade de quem vive intensamente um magnífico ritual de uma grande tradição. Arte, ciência, filosofia e tradições – este é um circuito transdisciplinar percorrido na construção da nossa trajetória no mundo. 

Não é só uma multiplicidade de experiências. Trata-se de acessar a multiplicidade de seres que somos, pensando, sentindo, trabalhando, lidando com a vida. É a unidade na diversidade - na prática. 

Descartes que me perdoe, mas esta riqueza de dimensões humanas é mais viva e real do que só raciocinar. 

Este jeito transdisciplinar de viver, que acolhe em pé de igualdade nossas diferentes inteligências, do orgânico ao espiritual, oferece suporte para os desafios atuais. É a visão sistêmica do próprio conhecimento, necessária para se inventar um modo de vida um pouco melhor: mais feliz, mais harmônico, mais competente, e mais viável no planeta e no nosso dia-a-dia. 

Uma forma de produzir conhecimento que agrega à dimensão lógica uma boa dose de valores universais como amor, paz e não-violência. Um saber comprometido com o bem-comum, com o respeito pela diversidade inerente à natureza e à humanidade. 

Esta nova produção de conhecimento gera profundos impactos na realidade. O modelo adotado para o conhecimento determina um modo de vida, e vice-versa. É melhor acreditarmos logo nisso, enquanto ainda há tempo, e modificarmos rapidamente a forma como educamos a nós, aos nossos filhos e aos que nos rodeiam. Não há como transformar o mundo sem transformar a maneira como nos conhecemos, evoluímos e nos inserimos no mundo.