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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

LEI DA LIBERDADE. Allan Kardec

Lei de Liberdade - Allan Kardec


Capítulo X
Lei de Liberdade
IV - Liberdade de Consciência
835. A liberdade de consciência é uma conseqüência da liberdade de pensar?
— A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem como todos os outros pensamentos.
836. O homem tem o direito de pôr entraves à liberdade de consciência?
— Não mais do que à liberdade de pensar, porque somente a Deus pertence o direito de julgar a consciência. Se o homem regula pelas suas leis a relação de homem para homem, Deus, por suas leis naturais regula as relações do homem com Deus.
837. Qual é o resultado dos entraves à liberdade de consciência?
— Constranger os homens de maneira diversa ao seu modo de pensar, o que é torná-los hipócritas. A liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso.
838. Toda a crença é respeitável, ainda mesmo quando notoriamente falsa?
— Toda crença é respeitável quando é sincera e conduz à prática do bem. As crenças reprováveis são as que conduzem ao mal.
839. Somos repreensíveis por escandalizar em sua crença aquele que não pensa como nós?
— Isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento.
840. Será atentar contra a liberdade da consciência opor entraves às crenças que podem perturbar a sociedade?
— Podem reprimir-se os atos, mas a crença íntima é inacessível.
Reprimir os atos externos de uma crença, quando esses atos acarretam qualquer prejuízo aos outros, não é atentar contra a liberdade de consciência, porque essa repressão deixa à crença sua inteira liberdade.
841. Devemos, por respeito à liberdade de consciência, deixar que se propaguem as doutrinas perniciosas ou podemos, sem atentar contra essa liberdade, procurar conduzir para o caminho da verdade os que se desviaram para falsos princípios?
— Certamente se pode e mesmo se deve; mas ensinai, a exemplo de Jesus, pela doçura e persuasão e não pela força, porque seria pior que a crença daquele a quem desejásseis convencer. Se há alguma coisa que possa ser imposta é o bem e a fraternidade, mas não acreditamos que o meio de fazê-lo seja a violência: a convicção não se impõe.
842. Como todas as doutrinas têm a pretensão de ser única expressão da verdade, por que sinais podemos reconhecer a que tem o direito de se apresentar como tal?
— Essa será a que produza mais homens de bem e menos hipócritas, quer dizer, que pratiquem a lei de amor e caridade na sua maior pureza e na sua aplicação mais ampla. Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, pois toda doutrina que tiver por conseqüência semear a desunião e estabelecer divisões entre os filhos de Deus só pode ser falsa e perniciosa.
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